Polícia



Região Metropolitana

Polícia prende suspeito de envolvimento no desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha

Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde janeiro

10/02/2026 - 09h52min


Leticia Mendes
Leticia Mendes
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Polícia Civil/Divulgação
Mandado de prisão foi cumprido nesta terça-feira (10).

A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (10), de forma temporária, pelo prazo de 30 dias, um suspeito de estar envolvido no desaparecimento de três pessoas de uma mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.


A reportagem apurou que se trata do ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, soldado da Brigada Militar. Ele atua na cidade de Canoas.

Conforme o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, a prisão temporária do suspeito ocorreu em razão de indícios que estão surgindo.

— A prisão temporária é uma ferramenta da investigação que permite a manutenção da custódia do suspeito para que se possa ser realizada várias diligências com a presença dele de forma mais aprofundada.

O suspeito preferiu ficar em silêncio durante o depoimento.

Segundo o delegado Ernesto Prestes, o homem preso é o único suspeito, mas a polícia ainda apura se há outros envolvidos. 

—  No momento a gente trabalha com a hipótese de que ocorreu o homicídio do casal e provavelmente o feminicídio da Silvana.

Questionada sobre a motivação do crime e do envolvimento do suspeito, a polícia não quis dar detalhes.

— Não podemos agora revelar o que nos temos. Nós investigamos um crime, mas não podemos dizer nem como e nem o motivo, porque isso pode interferir nos próximos passos — apontou o delegado.

Além disso, a polícia ainda não tem nenhuma linha de investigação acerca do paradeiro das vítimas.

A respeito do projétil de festim encontrado no interior da casa da família, a maior probabilidade é de que não esteja relacionado ao caso, de acordo com a polícia. Mas perícias estão sendo feitas com o intuito de esclarecer.

Casal saiu em um carro ocupado por motorista

Os policiais informaram que no dia 25 de janeiro (domingo), um dia após o relato da filha Silvana Germann de Aguiar, 48 anos acerca do suposto acidente, alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais saíram para procurá-la. 

Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estavam na kombi utilizada pela família para fazer compras para abastecer o mercado. Agora, a polícia divulgou que, na metade da tarde, o casal foi visto entrando em um carro com um motorista. E depois disso desapareceu.

Contraponto

A reportagem busca contato com a defesa do suspeito preso. O espaço segue aberto para manifestação.

O que diz a BM

A Brigada Militar informa que, na manhã desta terça-feira (10/2), a Polícia Civil e a Corregedoria-Geral da Brigada Militar realizaram a prisão temporária de um policial militar, em razão das investigações sobre o desaparecimento de três pessoas de uma mesma família de Cachoeirinha.

As investigações estão a cargo Polícia Civil e a Corregedoria-Geral  acompanha o caso.

Em decorrência da prisão, o policial militar será afastado do serviço policial, conforme previsto na legislação vigente, permanecendo a adoção de próximas providências internas condicionada à conclusão das investigações.

No momento, não serão concedidas entrevistas, tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento.

Entenda o caso

Silvana de Aguiar foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu, e o objetivo da postagem era despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato.

Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais saíram para procurar a filha no domingo (25). Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos.

A polícia descarta a hipótese de sequestro, pois não houve nenhum pedido de resgate. As principais suspeitas são de homicídio ou cárcere privado.

Polícia Civil/Divulgação
Silvana, Dalmira e Isail estão desaparecidos há 16 dias.

O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou.

Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência da filha às 20h34min e saiu oito minutos depois. Às 21h28min, o veículo de Silvana entrou na garagem.

Mais tarde, às 23h30min, outro carro chegou, permaneceu por 12 minutos e foi embora. A polícia investiga se era ela quem dirigia seu próprio carro e busca identificar os outros veículos, que podem tratar-se do mesmo.

Silvana é filha única do casal e mora nas proximidades. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e tem um filho de nove anos. O menino estava com o pai no fim de semana do desaparecimento.

A filha trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos. Eles tinham um bom relacionamento com a filha.

Apoio da Corregedoria da BM

Segundo o g1 apurou com a Brigada Militar, a Corregedoria da corporação passou a colaborar com o caso, o que levanta a suspeita de que um policial militar esteja envolvido. As autoridades não divulgaram quem é o policial nem qual seria seu envolvimento.

A corregedoria é responsável por fiscalizar a conduta de brigadianos e apurar possíveis infrações disciplinares e criminais. Essa etapa ocorre paralelamente ao trabalho da Polícia Civil, responsável pela investigação do desaparecimento.

Um celular encontrado também passará por perícia. O aparelho estava nas imediações da casa dos idosos.

A Polícia Civil não comenta detalhes das perícias que já foram concluídas. Até agora, não há informações sobre o que aconteceu com a família. Para os investigadores, a principal suspeita é de que tenha acontecido um crime, como homicídio ou cárcere privado.

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