Investigação
Policial militar suspeito por desaparecimento de família em Cachoeirinha fica em silêncio durante depoimento
É a terceira vez que Cristiano Domingues comparece à delegacia para ser ouvido em inquérito que apura sumiço da família Aguiar


O policial militar Cristiano Domingues ficou em silêncio durante novo depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (20). Ele é suspeito de ser responsável pelo desaparecimento da ex-mulher Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos. A família, que vive em Cachoeirinha, não é vista há quase um mês.
Cristiano chegou à delegacia de Cachoeirinha por volta de 14h15min, escoltado por policiais militares. Depois de aproximadamente uma hora e meia, o suspeito deixou o local.
O objetivo da Polícia Civil era questionar o suspeito com base em novos elementos que foram colhidos nos últimos dias. Os policiais confirmaram que o sangue na casa de Silvana é humano. Uma nova análise deve apontar se a amostra pertence a um dos desaparecidos.
Além disso, estão sendo feitas as análises no celular de Silvana, que foi encontrado em um terreno baldio. Os dados dos celulares de Cristiano e da sua atual companheira também já passaram por perícia.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcelos, considerou "circunstanciais" os elementos apresentados pela investigação e disse que a defesa vai se manifestar no momento que considerar adequado.
— Tem um momento processual adequado e vai ser dentro da regra processual. Num momento adequado, a defesa vai apresentar o que acha que seja pertinente.
Essa foi a terceira vez que Cristiano foi chamado a depor. Na primeira, ele foi ouvido ainda na condição de testemunha. Depois, compareceu à delegacia após ter sido preso. Na ocasião, também preferiu ficar em silêncio. O investigado está preso de forma temporária desde o dia 10 de fevereiro.
A atual companheira de Cristiano esteve na delegacia na quinta-feira (19) e foi ouvida por cerca de três horas. Conforme o advogado, ela ainda é tratada como testemunha pela polícia.
— Ela já prestou depoimento da data de ontem e colaborou com toda a investigação, apresentando inclusive a senha do celular, senha do notebook, comprovantes do local em que ela estava. 100% de colaboração com a investigação — disse Barcelos.
Já o irmão do policial prestou depoimento na manhã desta sexta.
Relembre o caso
O desaparecimento de Silvana e de seus pais mobiliza a Polícia Civil desde o fim de janeiro, desencadeando uma investigação que busca esclarecer as circunstâncias e o paradeiro da família.
O principal suspeito é o ex-marido de Silvana, Cristiano, que está preso. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias. A Brigada Militar informou que o investigado foi afastado do serviço policial. A investigação da Polícia Civil é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.
Silvana é filha única do casal e mora na mesma região deles. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail e Dalmira são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos.

Linha do tempo:
Antes do sumiço
- 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar.
- 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
O fim de semana dos desaparecimentos
- 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
- Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
- 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana e sai oito minutos depois;
- 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
- 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. - 25 de janeiro: Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada.
- Após saírem da delegacia, Isail e Dalmira não são mais vistos. O mercado da família fechou e não voltou a abrir.

Início das investigações
- 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos.
- 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações.
- Imagens de câmeras de segurança mostram Cristiano entrando e saindo da casa dos pais de Silvana com mochilas.

- 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal.
- 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos.
- 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
Perícias e prisão
- 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
- 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais.
- 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal).
- 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A polícia revela a existência de áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
- Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso.
- O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. - 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
- 14 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa três semanas.