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Investigação

Policial militar suspeito por desaparecimento de família em Cachoeirinha fica em silêncio durante depoimento

É a terceira vez que Cristiano Domingues comparece à delegacia para ser ouvido em inquérito que apura sumiço da família Aguiar

22/02/2026 - 15h02min


Guilherme Milman
Guilherme Milman
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Eduardo Paganella
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Renan Mattos/Agencia RBS
Suspeito chegou à delegacia para depor por volta de 14h15.

O policial militar Cristiano Domingues ficou em silêncio durante novo depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (20). Ele é suspeito de ser responsável pelo desaparecimento da ex-mulher Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos. A família, que vive em Cachoeirinha, não é vista há quase um mês.

Cristiano chegou à delegacia de Cachoeirinha por volta de 14h15min, escoltado por policiais militares. Depois de aproximadamente uma hora e meia, o suspeito deixou o local.

O objetivo da Polícia Civil era questionar o suspeito com base em novos elementos que foram colhidos nos últimos dias. Os policiais confirmaram que o sangue na casa de Silvana é humano. Uma nova análise deve apontar se a amostra pertence a um dos desaparecidos.

Além disso, estão sendo feitas as análises no celular de Silvana, que foi encontrado em um terreno baldio. Os dados dos celulares de Cristiano e da sua atual companheira também já passaram por perícia.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcelos, considerou "circunstanciais" os elementos apresentados pela investigação e disse que a defesa vai se manifestar no momento que considerar adequado.

— Tem um momento processual adequado e vai ser dentro da regra processual. Num momento adequado, a defesa vai apresentar o que acha que seja pertinente.

Essa foi a terceira vez que Cristiano foi chamado a depor. Na primeira, ele foi ouvido ainda na condição de testemunha. Depois, compareceu à delegacia após ter sido preso. Na ocasião, também preferiu ficar em silêncio. O investigado está preso de forma temporária desde o dia 10 de fevereiro.

A atual companheira de Cristiano esteve na delegacia na quinta-feira (19) e foi ouvida por cerca de três horas. Conforme o advogado, ela ainda é tratada como testemunha pela polícia.

— Ela já prestou depoimento da data de ontem e colaborou com toda a investigação, apresentando inclusive a senha do celular, senha do notebook, comprovantes do local em que ela estava. 100% de colaboração com a investigação — disse Barcelos.

Já o irmão do policial prestou depoimento na manhã desta sexta.

Relembre o caso

O desaparecimento de Silvana e de seus pais mobiliza a Polícia Civil desde o fim de janeiro, desencadeando uma investigação que busca esclarecer as circunstâncias e o paradeiro da família.

O principal suspeito é o ex-marido de Silvana, Cristiano, que está preso. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias. A Brigada Militar informou que o investigado foi afastado do serviço policial. A investigação da Polícia Civil é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.

Silvana é filha única do casal e mora na mesma região deles. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail e Dalmira são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos.

Polícia Civil/Divulgação
Silvana e os pais não são vistos desde o final de janeiro.

Linha do tempo:

Antes do sumiço

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar.
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
  • Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana e sai oito minutos depois;
    - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro: Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada.
  • Após saírem da delegacia, Isail e Dalmira não são mais vistos. O mercado da família fechou e não voltou a abrir.
Bruno Todeschini/Agencia RBS
Mercado da família está fechado desde então.

Início das investigações

  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos.
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações.
  • Imagens de câmeras de segurança mostram Cristiano entrando e saindo da casa dos pais de Silvana com mochilas.
Reprodução/Reprodução
À polícia, suspeito relatou ter ido ao local buscar comida para animais.
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal.
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos.
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Perícias e prisão

  • 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
  • 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais.
  • 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal).
  • 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A polícia revela a existência de áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
    - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso.
    - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
  • 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
  • 14 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa três semanas.

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