Polícia



Na Zona Leste

Suspeitos de torturar adolescente em Porto Alegre são alvo de operação da Polícia Civil

Ordens de prisão são cumpridas na manhã desta quinta-feira pela 2ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente na Capital

20/02/2026 - 11h10min


Leticia Mendes
Leticia Mendes
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Um crime marcado pela barbárie contra uma adolescente levou a Polícia Civil a desencadear na manhã desta quinta-feira (19) uma operação em Porto Alegre. O caso aconteceu em janeiro deste ano, quando a vítima foi arrebatada por criminosos, teve dedos das mãos cortados e o cabelo raspado. O episódio violento levou à realização de uma ofensiva na Zona Leste.

A investigação é coordenada pela 2ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Foram cumpridas 12 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão contra suspeitos do crime e oito de busca e apreensão. Os quatro alvos da operação são suspeitos de terem abordado a vítima e cometido os atos de tortura.

Dos quatro investigados, três foram presos e um está foragido. Um deles também foi detido em flagrante por tráfico de drogas. Com ele, foram apreendidos pinos de cocaína. Um quarto preso tinha uma ordem de prisão em aberto por sentença condenatória por receptação. 

Em 5 de janeiro, a adolescente de 17 anos foi atacada por integrantes de uma facção criminosa na Zona Leste. Segundo a polícia, os bandidos teriam decidido torturar a vítima após terem acesso a uma fotografia que ela havia compartilhado com uma amiga. 

Na imagem, a adolescente aparecia fazendo um sinal com as mãos, indicando o número de identificação de uma facção rival ao grupo que domina o tráfico naquela região. A imagem teria sido publicada pela amiga dela numa rede social. 

Os traficantes daquela área tiveram acesso à fotografia e interceptaram a adolescente e um familiar dela de 64 anos no meio da rua. Eles foram levados até uma casa, onde a jovem foi espancada, teve parte dos dedos das mãos decepada e o cabelo cortado com uma lâmina.

— Para a facção, aquilo foi suficiente para acharem que ela pudesse estar transitando entre os dois territórios, repassando informações. A motivação do crime ainda é investigada, mas esses indícios apontam para essa punição em razão dessa simbologia relacionada à outra organização criminosa — diz a delegada Sabrina Dóris Teixeira, titular da 2ª DPCA.

O familiar da vítima, que também chegou a ser agredido, socorreu a adolescente, que foi levada para o hospital e passou por cirurgia. Segundo a polícia, ela deixou a comunidade onde vivia e atualmente está em local seguro. A menor não tinha histórico de envolvimento com o crime e negou aos policiais ter relação com o tráfico de drogas. A investigação apura os crimes de tortura, lesões corporais graves e roubo de celular, entre outros.

— As sequelas são permanentes do que ela sofreu. Desde o início, apuramos como tortura, justamente pela brutalidade e pela gravidade do fato em si. Demonstra muita ousadia dos criminosos em praticar tamanha atrocidade contra uma jovem por motivo tão banal — afirma Sabrina.

Durante a operação desta quinta-feira, a Polícia Civil localizou uma casa, onde se suspeita que a vítima tenha sido torturada. No local, foram realizadas buscas a um dos investigados, que segue foragido.

— Há uma imposição desses grupos criminosos em determinados territórios e a dificuldade nossa também nessa investigação porque se impõe a lei do silêncio. Todo mundo sabe o que aconteceu, todo mundo sabe o tamanho da barbárie. A comunidade ficou chocada com a maior brutalidade — diz a delegada. 

Segundo o diretor da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca) do Rio Grande do Sul, delegado André Mocciaro, o caso vem sendo tratado como uma prioridade, em razão da gravidade dos fatos e dos requintes de crueldade que foram empregados contra a vítima.

— A gente está tratando de um crime de tortura no seu mais absurdo significado. Essa vítima teve imposta a ela um sofrimento incalculável e inconcebível. Esse tipo de atitude por parte de facções criminosas não pode e não será tolerado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Esse é o momento de efetuar o primeiro passo contra criminosos que cometeram esse crime bárbaro. A gente tem de dar uma resposta severa e essa resposta está sendo dada — afirma o delegado.

Os quatro suspeitos de envolvimento no crime já tinham antecedentes por crimes como lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo, homicídio, tráfico de drogas e roubo de veículo, entre outros. A investigação continua para apurar a participação de cada um deles e se há mais pessoas envolvidas no crime.

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