Polícia



Em Marau

Tutores denunciam maus-tratos a gatos no norte do RS; pets teriam sido queimados com ácido

De acordo com uma organização de proteção animal, 10 registros policiais foram feitos por tutores. Animais estão em recuperação

27/02/2026 - 10h04min


Heloisa Gamero
Heloisa Gamero
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Tutores e voluntários da ONG Patas Protetoras de Marau, no norte do RS, denunciam casos de maus-tratos a gatos ocorridos nos últimos dois meses no município. Os mais recentes foram registrados no dia 18 de fevereiro, quando os animais foram encontrados com as patas lesionadas.

Um deles foi o gato Mimi, da tutora Kauane Garmus, 35 anos. De acordo com ela, o animal chegou em casa com três patas gravemente machucadas, com sinais de corrosão. Ela levou o pet na veterinária para avaliar as lesões:

— Ele tinha acesso à janela, e entrava e saia quando queria. De manhã, quando ele retornou, já veio com as patinhas lesionadas. Na hora, eu pensei que fosse atropelamento, mas a veterinária falou que não havia nenhum osso quebrado. Ela me disse que era uma lesão causada por algum ácido, porque a pele começou a descolar, sair inteira.

Segundo Kauane, além das queimaduras, a veterinária também constatou no gato ferimentos compatíveis com tiro de chumbinho.

Outro caso foi relatado por Cenira Lopes, 56 anos, tutora da gata Nina. O animal apareceu em casa com os mesmos ferimentos nas patas da frente. De acordo com a mulher, um episódio de violência teria ocorrido também com sua outra gata, Ellor, no ano passado.

Cenira Lopes/Arquivo pessoal
Tutora relatou que Nina passa por um tratamento com soro fisiológico e pomada para gatos.

— Apesar de termos leis de proteção, ainda é um sistema falho. Nesses casos, não conseguimos identificar o autor, não sabemos como funciona o ataque, não sabemos onde, e nem como as pessoas têm acesso a esse tipo de produto. Acaba ficando mais difícil de ser resolvido — lamentou Sabrina.

Mimi e Nina passam por tratamento para curar as feridas. Segundo o delegado Norberto Rodrigues, da Delegacia de Polícia de Marau, a polícia deve investigar o caso assim que as ocorrências forem repassadas à unidade.

Leis de proteção

Em Marau, a lei municipal prevê pagamento de multa para quem pratica maus-tratos contra animais. O texto define como abuso não apenas a agressão física, a tortura e o envenenamento, mas também a negligência, como deixar o animal sem água ou comida, abandonar ninhadas e manter bichos doentes sem assistência veterinária. 

Quem descumpre a lei recebe primeiro uma intimação para regularizar a situação em até 30 dias, mas caso o problema persista, o responsável fica sujeito a punições previstas na lei nacional de Crimes Ambientais.

A legislação federal prevê detenção e multa para abusos, ferimentos ou mutilações. Desde 2020, casos envolvendo cães e gatos passaram a prever reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda.

Denúncias

  • 3° Batalhão Ambiental da Brigada Militar (BABM): telefones (54) 3335-8350 e (51) 98437-6920 — ambos também WhatsApp
  • ONG Patas Protetoras: relatos de maus-tratos podem ser encaminhados pelo Instagram, neste link.

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