Polícia



Latrocínio

Casal suspeito de matar gaúcha em SC é preso em Gravataí

Dupla foi detida por policiais rodoviários federais; outra suspeita já está sob custódia em Florianópolis

13/03/2026 - 15h36min


Leonardo Martins
Leonardo Martins
Enviar E-mail
Reprodução/Instagram
Três pessoas já foram presas suspeitas de envolvimento na morte de Luciani Aparecida Estivalet Freitas.

Um casal suspeito de matar a corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, 47 anos, foi preso na quinta-feira (12) em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, ao tentar fugir das autoridades. A dupla foi detida por policiais rodoviários federais após a Polícia Civil de Santa Catarina identificar os suspeitos e iniciar as buscas.

Luciani estava desaparecida desde o início de março de Florianópolis (SC), onde morava. O corpo dela foi encontrado esquartejado em um córrego de Major Gercino, no Vale do Itajaí, na quarta-feira (11).

A Polícia Civil confirmou a identificação nesta sexta-feira (13), após a família se deslocar até Balneário Camboriú para o reconhecimento. A corporação apontou latrocínio como linha principal de investigação.

Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pela investigação, a vítima teria sido morta entre 4 e 5 de março. O corpo teria permanecido no apartamento dela até a madrugada do dia 7, quando foi removido pelos suspeitos.

Ainda conforme a apuração, o tronco e outras partes foram levados até uma ponte na área rural de Major Gercino e jogados em um rio, dividido em cinco pacotes, pelo casal e um adolescente.

As buscas para localizar as demais partes do corpo seguem em andamento. A Polícia Civil informou que a dinâmica do crime e a autoria do latrocínio e da ocultação de cadáver já foram esclarecidos, mas a investigação continua para colher outros elementos.

Ainda segundo a Polícia Civil, além da mulher presa na pousada, outros suspeitos do crime são uma mulher de 30 anos, o namorado dela de 27, o irmão dele de 14 e a mãe deles. O homem de 27 anos estava foragido desde 2022, quando cometeu um latrocínio em São Paulo.

Suspeita presa com pertences da vítima

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu uma mulher de 46 anos suspeita de envolvimento no caso na quinta-feira. Ela foi detida em Florianópolis, em uma pousada onde se apresentava como responsável pelo estabelecimento.

No local, os policiais encontraram duas malas com objetos pessoais de Luciani, produtos comprados em nome dela, além do carro da vítima, um Hyundai HB20. A prisão partiu do rastreamento das compras feitas com o CPF da corretora após o desaparecimento. As entregas levaram os investigadores a endereços em Florianópolis.

Durante a apuração, a polícia abordou um adolescente de 14 anos que retirava uma das encomendas. Ele disse que os itens seriam entregues ao irmão dele. Com base nisso, os agentes foram até a pousada, onde encontraram a responsável pelo local, o irmão do adolescente e outra mulher.

A prisão da suspeita foi inicialmente pelo crime de receptação. Ainda na quinta-feira, durante a audiência de custódia, o juiz apontou indícios de homicídio e determinou a prisão temporária por 30 dias. Em depoimento, ela negou envolvimento no desaparecimento de Luciani.

O desaparecimento

Luciani havia sido vista pela última vez por vizinhos em 4 de março na kitnet onde morava, na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Antes de sumir, ela teria enviado mensagens à família com erros gramaticais que não combinavam com o seu perfil e passou a recusar as ligações dos parentes.

O irmão dela, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, no norte de Santa Catarina, foi o primeiro a desconfiar de que algo estava errado. Os textos que chegavam pelo celular de Luciani continham palavras escritas incorretamente, como "respentem", "persiguindo", "precionando" e "reornizar".

Em uma das mensagens, a remetente dizia que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

— Ela me manda aquele texto com erros gramaticais, bem o que não é usual dela, sabe? A nossa irmã tem graduação, pós-graduação, foi professora universitária, então a gente já notou que não era ela de forma alguma — explicou Freitas.

Para o irmão, outra pessoa havia assumido o celular de Luciani e estava se passando por ela para ganhar tempo. Desde 5 de março, uma quinta-feira, ela tinha parado de se comunicar normalmente nos grupos da família.

Luciani nasceu em Alegrete e cresceu em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.

Últimas Notícias