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Investigação

Desaparecidos em Cachoeirinha: imóveis alugados e bens de família embasam suspeita de crime por motivação financeira

Polícia também apura se mensagens do celular de Silvana Germann de Aguiar foram enviadas como forma de despiste

26/03/2026 - 10h30min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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A hipótese de que uma motivação financeira culminou no desaparecimento do casal Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, em Cachoeirinha, tem ganhado força. A Polícia Civil localizou contratos de locação no nome dos pais de Silvana Germann de Aguiar, 48, e ainda mapeia a existência de outros bens pertencentes à família.

Silvana não é vista desde 24 de janeiro e os pais não são encontrados desde o dia seguinte. O principal suspeito é Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, ex-marido de Silvana e pai do filho dela, um menino de nove anos.

— Conseguimos localizar um contrato de locação assinado pela própria Silvana. Acreditamos que possa haver outros, além desses que já são conhecidos — detalha o delegado Anderson Spier.

Isail e Dalmira, residentes desde a década de 1990 no bairro Anair, possuem uma casa de dois pisos anexa ao minimercado, um carro e um sítio. A filha dos idosos morava a cerca de um quilômetro do local e também tinha casa própria e carro.

Silvana era filha única e, segundo o delegado Anderson Spier, administrava a vida financeira dos pais. A polícia aguarda retorno de tabelionatos da região e da quebra de sigilo bancário da família para prosseguir com as investigações.

Também foi Silvana quem teria decidido que os pais não tivessem telefone celular, depois de caírem em um golpe. No minimercado, os donos possuíam telefone fixo e costumavam receber pagamentos somente em dinheiro. A possibilidade de que tivessem cédulas armazenadas em casa é investigada pela polícia. Contudo, nenhuma quantia foi encontrada na moradia.

O minimercado Aguiar, na esquina das ruas Barbacena e Viamão, funcionava de "segunda a segunda" era o principal ponto de referência, o "mercado quebra-galho" da região. Só fechava aos domingos à tarde e costumava abrir em horários estendidos em datas festivas e feriados. Conforme relato de amigos e vizinhos, eram muito rigorosos com os pagamentos e não vendiam fiado.

Pâmela Rubin Matge/Agencia RBS
Família Aguiar era proprietária de imóveis na região.

Publicações no celular de desaparecida

Segundo a polícia, existe a possibilidade de que Cristiano Domingues Francisco tenha utilizado o celular de Silvana e feito publicações nas redes sociais da ex-companheira. A investigação aponta que Cristiano estava de posse do aparelho.

As mensagens diziam que ela havia sofrido um acidente de trânsito quando estaria retornando de Gramado, na Serra. No entanto, as investigações apontam que nenhum acidente foi registrado na região no dia das postagens.

Cristiano teve a prisão temporária prorrogada por 30 dias, a contar de 12 de março. Ele está afastado das funções militares, segundo informação da Corregedoria da Brigada Militar (BM). Ele está preso no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre.

A Polícia Civil trata os desaparecimentos como crime e diz já ter elementos para indiciar Cristiano por feminicídio (de Silvana) e duplo homicídio (Isail e Dalmira), além de ocultação de cadáver.

Zero Hora tenta contato com o advogado Jeverson Barcellos, responsável pela defesa do suspeito. O espaço segue aberto para manifestações. Em posicionamentos anteriores, a defesa disse aguardar acesso ao inquérito para se manifestar.

Nesta quarta-feira (25), a atual companheira de Cristiano compareceu à delegacia. A advogada da testemunha não quis conversar com a imprensa.


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