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Protesto

"O mais difícil é não saber onde eles estão": familiares e amigos cobram agilidade na investigação do caso da Família Aguiar

Protesto em frente ao Fórum de Cachoeirinha reuniu cerca de 20 pessoas

31/03/2026 - 09h08min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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O choro de parentes e as vozes indignadas de amigos e vizinhos da família Aguiar se uniram em um ato em frente ao Fórum de Cachoeirinha nesta segunda-feira (30). Cerca de 20 pessoas cobraram pela agilidade na investigação do caso e pelo direito de o filho de Silvana Germann Aguiar, 48 anos, ser criado sob a tutela da família materna.

Silvana e os pais, Isail e Dalmira, não são vistos desde o final de janeiro. A polícia suspeita que eles estejam mortos.

— Uma semana antes de desaparecer, meu irmão esteve lá em casa. Estava tudo tão bem, tudo tranquilo. Não tem um dia que não pense neles. Deito pensando, acordo no meio da noite. O mais difícil é não saber onde eles estão. O que fizeram? — disse emocionada Onilda Aguiar Justin, 61 anos, irmã de Isail e tia de Silvana.

Pâmela Rubin Matge/Agencia RBS
Emocionada, irmã de Isail participou do protesto.

Os advogados que representam a família Aguiar acionaram a Justiça com um pedido de reversão de guarda do menino, que tem nove anos, e de preservação do patrimônio dos pais de Silvana.

— A criança está com a família do suspeito de desaparecer com a mãe e os avós dele. O que estão falando para este menino? — questiona a advogada Elen Zucatti, que atua no caso desde 22 de fevereiro ao lado do advogado Gilmar Souza de Vargas.

— Também sou mãe de um menino da mesma idade. Eu e Silvana íamos ao médico grávidas, juntas. O filho era tudo para ela — disse a amiga e vizinha Fabiane Cavalheiro, 36 anos.

O principal suspeito é Cristiano Domingues Francisco, policial e ex-companheiro de Silvana. Ele teve a prisão temporária prorrogada por 30 dias, a contar de 12 de março. 

O investigado está afastado das funções, segundo informação da Corregedoria da Brigada Militar (BM). Ele está preso no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre.

A Polícia Civil trata os desaparecimentos como crime e diz já ter elementos para indiciar Cristiano por feminicídio (de Silvana) e duplo homicídio (Isail e Dalmira).

Zero Hora tenta contato com o advogado Jeverson Barcellos, responsável pela defesa do suspeito. O espaço segue aberto para manifestações. Em posicionamentos anteriores, a defesa disse aguardar acesso ao inquérito para se manifestar.

Investigação

Outros três suspeitos estão sendo investigados por, segundo a polícia, supostamente tentarem atrapalhar as investigações. Eles não são suspeitos de envolvimento no desaparecimento.

Segundo o delegado do caso, uma pessoa é suspeita de fraude processual, por supostamente ter apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online).

Outra pessoa teria deletado imagens de câmeras da casa onde moram a mãe dele e Cristiano, de acordo com a polícia. Ele também é suspeito de fraude processual.

Já a terceira pessoa é investigada por falso testemunho. Segundo o delegado, ele teria mentido em circunstâncias do depoimento para dar falsos álibis ao principal suspeito.


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