Polícia



Coincidências

Polícia identifica corpo encontrado em mala em Florianópolis e apura relação com morte de corretora gaúcha

Homem de 29 anos vivia no mesmo local que Luciani e os suspeitos do assassinato dela

19/03/2026 - 13h04min


Leonardo Martins
Leonardo Martins
Enviar E-mail
Reprodução/Instagram
Luciani Freitas morava no mesmo local que vítima encontrada em mala em Florianópolis.

O corpo encontrado dentro de uma mala na Praia do Santinho, em Florianópolis, em 28 de dezembro de 2025, foi identificado nesta quarta-feira (18) como sendo de um homem de 29 anos. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga se o homicídio tem relação com o caso da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, 47 anos, morta e esquartejada na mesma região no início de março.

A investigação sobre o corpo na mala será reiniciada a partir da identificação da vítima. O delegado Alex Bonfim, titular da Delegacia de Homicídios da capital catarinense, afirmou que os paralelos entre os dois crimes estão sendo analisados, mas ponderou que ainda não há indícios concretos que vinculem os casos.

— Essa hipótese é investigada, mas não há indícios até o momento. Todavia, essa é uma diretriz que nós estamos observando. Os paralelos estão sendo traçados e nada pode ser descartado nesse momento — disse Bonfim.

As coincidências, porém, são várias. A vítima morava no mesmo complexo residencial que Luciani e que os suspeitos presos pela morte da corretora. Matheus Vinícius Silveira Leite, 27 anos, um dos investigados no caso da gaúcha e foragido desde 2022 por um latrocínio em São Paulo, é natural da mesma cidade que o homem identificado.

Os dois crimes também apresentam semelhanças na forma de execução e no método de descarte dos corpos. A mala foi encontrada perto do condomínio onde todos moravam. Se a vítima e Leite tinham alguma relação pessoal, ainda está sob investigação.

Identificação da vítima

A identificação só foi realizada meses depois porque ninguém registrou o desaparecimento da vítima e não houve reconhecimento de familiares ou pessoas próximas. O processo ganhou impulso durante as apurações sobre a morte de Luciani, quando policiais da Delegacia de Roubos e Antissequestro receberam uma foto da suposta vítima.

A partir daí, a Delegacia de Homicídios fez pesquisas em fontes abertas e chegou à identificação civil. A Polícia Científica confirmou a identidade por meio do cruzamento de dados com prontuários médicos e odontológicos, usando raio X e análise odontológica.

Segundo a corporação, o processo "seguiu rigorosos protocolos científicos, garantindo a fidedignidade do resultado apresentado ao inquérito policial". Mais detalhes sobre a vítima não foram divulgados para não comprometer as investigações em curso.

Como o corpo foi encontrado

Em 28 de dezembro, banhistas que passavam pela Praia do Santinho perceberam uma mala com cheiro forte presa entre pedras na orla e acionaram os guarda-vidas. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina foi chamado por volta das 17h para verificar a ocorrência no início da trilha de acesso ao Costão. 

Ao abrir a bagagem, as equipes encontraram sacos com um corpo em avançado estado de decomposição. Na ocasião, não era possível identificar nem o gênero nem a idade da vítima.

O que se sabe sobre a morte de Luciani

Luciani Freitas foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no norte da capital catarinense, em 4 de março. Natural de Alegrete (RS), ela morava em uma kitnet em Florianópolis, onde trabalhava como corretora de imóveis.

A família percebeu que algo estava errado em 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário. Nos dias seguintes, mensagens enviadas pelo celular dela em grupos de WhatsApp chamaram atenção pela gramática fora do padrão. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

O boletim de ocorrência foi registrado no dia 9, após o irmão dela, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, ir até o apartamento em que Luciani morava. Ele entrou pela janela e encontrou alimentos em decomposição e o cachorro da irmã do lado de fora.

A polícia chegou aos suspeitos ao rastrear compras feitas com o CPF da corretora desde 6 de março. Um adolescente de 14 anos foi abordado retirando uma encomenda e disse que os produtos eram para o irmão.

Os policiais foram até a pousada onde o suspeito estava e encontraram duas malas com pertences pessoais de Luciani, além de produtos comprados em nome dela, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão.

Em 12 de março, uma mulher de 47 anos que se apresentava como responsável pela pousada foi presa por receptação, após ser localizada com pertences da vítima.

No mesmo dia, um casal suspeito de envolvimento no crime foi preso em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao fugir das autoridades. Leite estava entre os detidos.

Corpo esquartejado

Em 11 de março, um torso foi encontrado em Major Gercino, no Vale do Rio Tijucas. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que os restos mortais eram de Luciani. As buscas pelas demais partes do corpo da corretora continuam.

Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pelo caso, ela foi morta entre 4 e 5 de março. O corpo permaneceu no apartamento até a madrugada do dia 7, quando foi esquartejado, retirado pelos suspeitos, levado até uma ponte em área rural e jogado no rio em cinco partes.

Cruz afirmou que o crime foi planejado. Leite e o irmão adolescente moravam no mesmo prédio que Luciani e a mulher presa tinha a chave de todos os apartamentos, o que teria facilitado o acesso ao imóvel da vítima. 

— Com certeza isso foi um crime planejado, preparado, com antecipação — disse o delegado.

O caso é investigado como latrocínio, caracterizado por roubo com morte. Três suspeitos estão presos pela morte de Luciani. A autoria do homicídio da vítima encontrada na mala ainda está sob investigação.

Últimas Notícias