Falso comprador
Polícia prende suspeitos de morte de comerciante de celulares em emboscada em Porto Alegre
Mandados são cumpridos em três cidades da Região Metropolitana contra grupo criminoso que teria atraído a vítima ao bairro Farrapos
A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (3) uma operação contra um grupo criminoso suspeito da morte de um comerciante de celulares em 23 de dezembro de 2025 no bairro Farrapos, na zona norte de Porto Alegre. O crime aconteceu na Rua Victor Ely Von Frankenberg, quando a vítima foi atraída para uma falsa venda de um aparelho.
Segundo a investigação, o contato foi feito por meio de redes sociais por um homem que simulou interesse na compra parcelada do aparelho. O que chamou a atenção dos investigadores é que o suspeito já havia realizado um negócio legítimo com o comerciante em novembro de 2024, fato que foi usado como estratégia para atrair a vítima à emboscada.
Nesta fase da operação, foram cumpridas três prisões preventivas e uma prisão temporária, além de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo de dados telefônicos. As ordens foram cumpridas em Canoas, Gravataí e Cachoeirinha. Uma outra prisão, efetuada em flagrante no dia do latrocínio, foi convertida para preventiva.
Os investigados devem responder por latrocínio consumado e associação criminosa. A Polícia Civil sustenta que a operação busca atingir não apenas os executores, mas também os articuladores que atuam dentro do sistema prisional.
Disparo dentro do carro
Segundo a polícia, ao chegar ao local combinado para entregar o aparelho, o comerciante foi surpreendido por dois homens. Um deles efetuou um disparo de arma de fogo dentro do veículo, matando a vítima no local.
Ainda no mesmo dia, a polícia prendeu em flagrante o motorista do carro utilizado no crime. Com ele, foi apreendido um telefone celular, cujo conteúdo ajudou a aprofundar a investigação sobre o assassinato.
A apuração revelou que a ação foi articulada por uma associação criminosa estruturada, com divisão de tarefas. Parte do planejamento teria sido coordenada de dentro do sistema prisional, por meio de aparelhos telefônicos clandestinos.
O delegado Gabriel Lourenço, titular da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, alertou para os riscos envolvendo negociações feitas por aplicativos e redes sociais, especialmente quando envolvem encontros em locais isolados. Ele orienta que transações sejam realizadas em ambientes públicos e movimentados, com cautela redobrada mesmo quando há histórico de negócios anteriores.