Polícia



De crianças a idosas

Sete casos por dia: importunação sexual aumenta no RS e tem maioria das vítimas mulheres

Técnico de enfermagem foi preso nesta semana em Porto Alegre, por suspeita deste crime contra 14 colegas

24/03/2026 - 10h04min


Leticia Mendes
Leticia Mendes
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Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Investigado foi preso na tarde de terça-feira na Capital.

O caso de um técnico de enfermagem, preso por suspeita de importunação sexual contra 14 colegas num hospital de Porto Alegre, representa um tipo de violência que tem média de sete registros por dia no Estado. 

Entre janeiro e fevereiro deste ano, 416 apontamentos foram realizados no Rio Grande do Sul. Em comparação com o mesmo período do ano passado, há aumento de 12,7% nos casos que chegam à polícia — foram 369 registros no primeiro bimestre de 2025. 

Sobre o perfil das vítimas, em sua maior parte, são mulheres. Das pessoas que procuraram a polícia, 87% são do sexo feminino. A idade das vítimas varia, incluindo crianças e pessoas idosas, com idades entre três e 78 anos. Ainda sobre a faixa etária, 105 das vítimas eram menores de 18 anos.

Os dados, extraídos do site da Secretaria da Segurança Pública do Estado, representam somente aqueles casos que chegaram ao conhecimento da polícia. Em casos de crime sexual, no entanto, muitas vezes a vítima não registra a violência sofrida. 

— É muito importante as vítimas denunciarem. A denúncia serve para a responsabilização do investigado, em todos os casos, e também para evitar novos crimes. Assim que ele é responsabilizado, é tirado da sociedade por meio de uma segregação cautelar, ele não consegue praticar outros crimes. Isso protege outras mulheres — alerta a delegada Fernanda Campos Hablich, da 2ª Delegacia da Mulher de Porto Alegre. 

Em casa, na rua, no hospital

Os registros indicam ainda que os casos acontecem em diferentes locais. Um terço dos fatos relatados, no entanto, refere-se a episódios de importunação sexual dentro de casa. Na sequência, estão registros de crimes na rua, em estabelecimentos comerciais e em hospitais ou clínicas.

Nesta semana, um técnico de enfermagem foi preso pela equipe da 2ª Delegacia da Mulher de Porto Alegre, por suspeita de importunação sexual contra colegas. John Douglas de Lima Machado, 40 anos, trabalhava no Hospital Nossa Senhora da Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição. 

O técnico foi afastado em janeiro do trabalho após as denúncias das colegas. Na quarta-feira (18), um dia após a prisão do investigado, ao menos mais uma mulher procurou a polícia para relatar também ter sido vítima de crime sexual por parte do homem. A polícia não repassou detalhes sobre este novo caso. 

Como denunciar 

As vítimas podem buscar ajuda em qualquer delegacia. No caso do técnico de enfermagem, a polícia orienta que as mulheres, preferencialmente, procurem o plantão da 1ª Delegacia da Mulher (Rua Professor Freitas e Castro, 701-739, no bairro Azenha) ou a 2ª Delegacia da Mulher (Rua Tenente Ary Tarragô, 685, no bairro Jardim Itu). 

Contraponto

A reportagem busca contato com a defesa de John Douglas de Lima Machado. Segundo a polícia, no hospital, na defesa prévia apresentada, o técnico negou os crimes, alegando que se tratava de brincadeiras que tinham sido mal entendidas, mas ele ainda será ouvido formalmente no processo. O espaço segue aberto para manifestação.

O que diz o hospital

A reportagem também entrou em contato com o Grupo Hospitalar  Conceição, que informou que "o empregado investigado foi afastado das funções no dia 2/1, enquanto corria a investigação".

A assessoria da casa de saúde ainda esclareceu que ele permanece afastado e que "o processo acusatório (PAD) está em fase final de instrução". Durante o processo, 24 testemunhas foram ouvidas. O técnico ainda será interrogado.

Por fim, acrescenta que "a Corregedoria foi criada nesta gestão do GHC, em 2024, para reforçar procedimentos internos de apuração e governança. Graças a esta unidade criada, foi possível dar celeridade para este caso".

O que é importunação sexual

  • É quando se pratica ato libidinoso ou comete outra prática contra alguém, sem sua permissão, para satisfazer desejo sexual.
  • Pode ser, por exemplo, apalpar, tocar, beijar à força, masturbar-se, entre outros. A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos.

Como agir

  • Em muitos casos, a vítima não consegue pedir ajuda porque fica paralisada. Por isso, é essencial que quem testemunha esse tipo de crime também saiba como agir. 
    Ligue imediatamente para a Brigada Militar, pelo 190.
  • Se ocorrer dentro de ônibus, tente identificar a linha e localização do ônibus.
  • Se possível, fotografe o agressor, se for vítima ou testemunhar um caso desses.
  • Se o crime já aconteceu, tranquilize a vítima e oriente que ela registre o fato. Neste caso, é possível registrar o fato em qualquer delegacia ou pela Delegacia Online. Também é possível entrar em contato com a Polícia Civil pelo 181 ou (51) 98444-0606.

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