Cachoeirinha
"Falei com a megera" e "acabou minha paciência": ouça áudio do suspeito de matar Silvana de Aguiar e os pais dela antes dos desaparecimentos
Em mensagem de voz, enviada à atual esposa, Cristiano Domingues Francisco, indiciado por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, relata desentendimento por conta de brigadeiro

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, indiciado por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, no caso envolvendo a família Aguiar, mandou um áudio para a atual esposa relatando um desentendimento com a ex-mulher, Silvana de Aguiar, 48, desaparecida desde 24 de janeiro. A mensagem foi enviada às 19h14min do dia 2 de janeiro. Cristiano, no áudio, faz referência a uma briga por conta de um brigadeiro dado ao filho do ex-casal. Ele usa expressões como "minha paciência acabou" e "megera".
Conforme a investigação, a última palavra nomeava um arquivo salvo no notebook do suspeito. O termo pejorativo fazia referência à Silvana. O material do arquivo continha frases escritas para serem reproduzidas em áudio pelo software por meio de inteligência artificial.
O conteúdo foi referido pela polícia durante coletiva de imprensa sobre o caso Aguiar no dia 17 de abril.

A Polícia Civil indiciou Cristiano por duplo homicídio, feminicídio, ocultação de cadáveres e outros crimes. Ele é ex-companheiro de Silvana, e ex-genro de Dalmira German Aguiar, 70, e Isail Aguiar, 69. Os três estão desaparecidos desde o fim de janeiro. Segundo a polícia, foram mortos, mas os corpos ainda não foram localizados. Cristiano e Silvana têm um filho de nove anos.
A investigação ainda indiciou a esposa, o irmão, um amigo, a mãe e a sogra do ex-policial por delitos como fraude processual e associação criminosa. O inquérito foi remetido ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) que pode denunciar os investigados à Justiça ou pedir que a polícia aprofunde a investigação.
Contraponto
Cristiano está preso desde 10 de fevereiro. Nas três vezes em que foi intimado para prestar depoimento à polícia, manteve-se em silêncio.
A reportagem de Zero Hora buscou contato com Jeverson Barcellos, advogado do PM. O profissional preferiu não se manifestar.