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Sem vagas

Número de presos em viaturas e delegacias do RS passa de 62 para 76 em um dia

Situação mais grave é junto ao Palácio da Polícia, em Porto Alegre, onde há 19 custodiados

23/04/2026 - 15h16min


Tiago Bitencourt
Tiago Bitencourt
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O número de presos custodiados em viaturas e delegacias no Rio Grande do Sul subiu para 76 na manhã desta quinta-feira (23). No dia anterior, conforme o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia (UGEIRM), o número era de 62.

A situação mais grave é verificada junto ao Palácio da Polícia, em Porto Alegre. São 15 presos na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) e outros quatro na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Por volta das 11h, três viaturas na Avenida Ipiranga estavam estacionadas com três presos custodiados por quatro brigadianos.

No interior do prédio, o relato dos funcionários é de celas lotadas. A reportagem flagrou familiares entregando comida para presos que estavam em uma das viaturas e sacos de pão sendo levados para o interior do Palácio da Polícia para que fossem dados aos presos.

A mesma situação foi constatada na Região Metropolitana, no Litoral Norte e no interior do Estado. O cenário é mais preocupante na DPPA de Gravataí, onde há 10 presos e na de Caxias do Sul, com outros 10. Há relato de problemas em Canoas, Tramandaí, Viamão, Alvorada, Butiá, Novo Hamburgo, Capão da Canoa e Torres.

Um dos motivos para a situação é uma decisão judicial da última sexta feira (17), que proibiu a entrada de novos presos por mandado no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre, como forma de conter a superlotação da unidade. Somente presos em flagrante são levados para o local.

Pelo menos uma operação policial teve a data de deflagração alterada. A chefia da Polícia Civil não confirma que foi devido à superlotação e informa que a logística interna seria o motivo do adiamento.

A Polícia Penal se manifestou por nota ainda na terça-feira (21) e relatou que "os flagrantes estão seguindo fluxo normal de recebimento no Nugesp e/ou delegacias. Quanto aos presos por cumprimento de mandado, segue a restrição imposta pela decisão judicial de sexta, e casos específicos estão sendo tratados individualmente".

Questionado, o Tribunal de Justiça do Estado afirmou que a decisão segue valendo. Só haverá mudança se o Estado ou outra parte ingressar com recurso contra a decisão.

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