Polícia



Operação Cerco Fechado

Polícia Civil desarticula grupo criminoso que ameaçava agentes de segurança em Butiá

Até o momento, 13 pessoas foram presas; esquema era comandado de dentro da cadeia

29/04/2026 - 09h58min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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Uma operação da Polícia Civil desarticulou, na manhã desta quarta-feira (29), um grupo criminoso especializado em tráfico de drogas em Butiá, na Região Carbonífera. Além da venda de drogas, a quadrilha é investigada por ameaçar agentes de segurança pública.

Batizada de Cerco Fechado, a ofensiva cumpre 15 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Os detidos responderão por tráfico de drogas e associação criminosa. Em seis meses, os investigados movimentaram cerca de R$ 500 mil com venda ilegal de entorpecentes e agiotagem.

Até o momento, 13 pessoas foram presas. Elas irão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. A delegada Jucicléia Oliveira, da delegacia de Butiá, participa da operação em conjunto com o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).

— A importância dessa ação de hoje (quarta-feira) da Polícia Civil através do Denarc e da Delegacia de Butiá, é uma cidade pequena e a gente tem visto essa migração dessas facções para o interior do Estado. Então a Polícia Civil está atenta e na data de hoje, nessa parceria do Denarc com a Delegacia do Interior, nós estamos realizando essa ação extremamente exitosa que certamente irá impactar na vida social da população local — afirmou Carlos Wendt, diretor do Denarc.

Liderança de dentro da cadeia

Segundo a delegada Ana Flávia Leite, da 4ª DIN/Denarc, as investigações começaram em maio de 2025 após denúncias anônimas. O trabalho revelou que o líder do grupo, mesmo preso, comandava a distribuição de entorpecentes, o fluxo financeiro e a atuação de comparsas nas ruas.

— Essa quadrilha possuía uma cadeia hierárquica clara. O líder coordenava os pontos de venda e os subordinados prestavam contas sobre as operações — explica a delegada.

Monitoramento e provas

A dinâmica operacional foi reconstruída após meses de análise de aparelhos celulares apreendidos. O material, que inclui mensagens, imagens e comprovantes, detalhou como os criminosos organizavam a venda das drogas e as divisões de tarefas.

Trechos de conversas entre criminosos

"Vou te dar a última oportunidade. Sinceramente, tô na cadeia, não posso ficar batendo cabeça, tá ligado. Tenho que ficar mais cinco anos ainda, não posso ficar me incomodando. Na verdade, tem gente que eu nem em incomodo (...)"

O homem tinha ingerência concreta sobre a circulação de valores e pagamentos a terceiros. Ele seguia repassando ordens, monitorando e orientando movimentações externas. 

"Isso não é desculpa, isso não é desculpa, porque vendo a mão da caminhada tu consegue te manter muito bem, entendeu? Quantos malotes tu toca, tu é cansada de pegar um, dois malotes e vender de um dia para o outro, dois mil às vezes, entendeu? Vender dois mil de um dia para outro, entendeu? Aí tu pega, tem vez que tu pega, o cara te larga, natural o cara já pega o dinheiro, tá?"

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