Polícia



Operação Matilha

Polícia Civil desarticula quadrilha especializada em assalto a residências no RS

Onze mandados de prisão temporária são cumpridos contra grupo que seria comandado de dentro do sistema prisional

07/04/2026 - 10h04min

Atualizada em: 07/04/2026 - 10h05min


Júlia Ozorio
Júlia Ozorio
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O assalto a uma residência em outubro do ano passado, em Canoas, na Região Metropolitana, levou a Polícia Civil a descobrir uma quadrilha especializada neste tipo de crime. O grupo, comandando de dentro de uma penitenciária, é alvo de uma ofensiva nesta terça-feira (7).

São cumpridos 11 mandados de prisão temporária, além de 17 de busca e apreensão nas cidades de Cachoeirinha, Charqueadas, Eldorado do Sul, Guaíba, Osório, Porto Alegre e Tramandaí. Até o momento, nove pessoas foram presas nesta ação. Além disso, foram apreendidos celulares e animais em cativeiro, como um macaco-prego e quatro aves.

Prejuízo de R$ 10 mil

A investigação da polícia teve início em outubro, após uma residência do bairro Estância Velha, em Canoas, ter sido alvo de um assalto. Câmeras de monitoramento flagraram os criminosos entrando na casa no dia do crime (veja abaixo).

Armados, os bandidos conseguiram entrar no local por um portão e mantiveram um casal em cárcere privado por cerca de 30 minutos. Durante o período da ação criminosa, os moradores foram obrigados a realizar diversas transações financeiras, sob ameaças de morte. 

O prejuízo financeiro chegou a quase R$ 10 mil, segundo a delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas. Um celular também foi levado.

— Eles entraram achando que tinha valores lá dentro. Quando viram que não tinha valores em espécie, fizeram as vítimas abrirem um aplicativo bancário e transferirem quase R$ 10 mil, que foi o que elas conseguiram, que o banco liberou. Depois disso, eles também levaram o celular — explicou a delegada.

Tentativa de extorsão

Depois do assalto, as vítimas passaram a ser ameaçadas pela quadrilha e relataram para a Polícia Civil que se sentiam perseguidas pelos criminosos. Conforme a investigação, os bandidos usavam dados do casal, possivelmente vazados na internet ou coletados a partir de engenharia social, para realizar ameaças e exigir mais dinheiro. Os contatos eram feitos por telefone e mensagens.

— O que mais nos chamou atenção não foi apenas a violência física no momento do roubo, mas a violência psicológica continuada. Eles não saíam da vida da vítima após o crime. É uma estrutura de "terrorismo doméstico" orquestrada de dentro do sistema prisional — afirmou Luciane.

De dentro do presídio

Além das filmagens obtidas pela polícia, uma série de vestígios deixados pela quadrilha no momento do assalto, das ameaças e da pulverização do valor roubado, contribuíram para a identificação dos 11 suspeitos, que são alvo de mandados de prisão temporária nesta terça-feira. 

Entre eles, a possível liderança do esquema — um homem que cumpre pena na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas. O suspeito tem antecedentes por roubo, tráfico de entorpecentes, homicídio e extorsão.

Conhecido pela alta periculosidade e liderança de atividades criminosas na região de Guaíba, ele contaria com comparsas em liberdade para executar roubos a residências e pulverizar o valor obtido das vítimas.

A apuração aponta ainda que outros crimes teriam sido praticados pelos suspeitos identificados. No entanto, essa hipótese segue em investigação na 3ª Delegacia de Polícia de Canoas.

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