Polícia



Operação Fantoccio

Polícia desarticula grupo que dopava idosos para contratar empréstimos em Porto Alegre

Investigação aponta prejuízo superior a R$ 1 milhão; criminosos colocavam substância no café das vítimas e debochavam do estado de vulnerabilidade delas

08/04/2026 - 11h20min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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A Polícia Civil desarticulou, nesta quarta-feira (8), uma organização criminosa especializada em estelionato contra idosos em Porto Alegre. A Operação Fantoccio (marionete, em italiano) cumpre seis mandados de prisão contra o grupo que simulava consultorias financeiras para atrair as vítimas e contratar empréstimos fraudulentos.

Até o momento, cinco pessoas foram presas. Eles são investigados por estelionato e associação criminosa. A investigação teve início no final de 2024 pela Delegacia de Proteção ao Idoso.

O esquema começava com uma abordagem pelo WhatsApp. Os criminosos contatavam idosos que já possuíam empréstimos ativos, apresentando-se como correspondentes das instituições financeiras originais. Sob o argumento de oferecer uma redução nas parcelas ou o recálculo de juros, os golpistas convenciam as vítimas a comparecerem presencialmente à sede da consultoria, que operava sob nomes como Prime ou Central Consultoria Financeira, no bairro Bom Fim, na área central de Porto Alegre.

Ao chegarem ao local, as vítimas eram fotografadas e faziam o procedimento de biometria facial sob a alegação de que era uma exigência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em seguida, eram induzidas a assinar documentos. Sem o conhecimento ou consentimento dos idosos, os suspeitos abriam contas bancárias, por meio das quais contratavam novos empréstimos. Os valores obtidos eram posteriormente transferidos para terceiros. 

Conforme a delegada Ana Caruso, responsável pelo caso, análise técnica dos aparelhos celulares apreendidos apontou que os criminosos utilizavam substâncias para dopar vítimas, reduzindo a capacidade de reação dos idosos, que eram então conduzidos aos procedimentos finais da fraude. 

Muitas vezes, os idosos eram dopados com alguma substância que ainda não identificamos, mas, nas conversas trocadas pelos bandidos em mensagens, citam 'ele ainda não está grogue'.

ANA CARUSO

Delegada responsável pela investigação

Prejuízo milionário e violência física

Em diálogos recuperados pela polícia, os integrantes do grupo chegavam a debochar da confusão mental das vítimas após o consumo da bebida.

O grupo de WhatsApp que os criminosos mantinham para as negociações fraudulentas tinha, até março, 400 idosos captados. Desses, 19 registraram ocorrência na Delegacia do Idoso. O prejuízo somente entre os que têm boletim policial ultrapassa R$ 1 milhão. As vítimas, todas aposentadas, perderam entre R$ 5 mil e R$ 80 mil.

— O valor do prejuízo é, com certeza, bem maior, pois há muitas pessoas que ainda nem perceberam que foram vítimas de golpe. Outras, envergonhadas, não procuraram a polícia, e tem aquelas que podem ter registrado ocorrência em outra delegacia — complementa Ana Caruso.

Em um dos casos, a vítima foi informada de que um motoboy compareceria à sua residência para recolher documentos, supostamente necessários para o cancelamento dos empréstimos fraudulentos. No horário combinado, dois indivíduos chegaram em uma motocicleta, roubaram o telefone celular da vítima e a agrediram

A vítima afirmou reconhecer o agressor como sendo um dos funcionários da financeira investigada.

Golpistas usavam pseudônimos 

Os casos que chegaram à delegacia apresentaram o mesmo modus operandi dos criminosos. O grupo utilizava pseudônimos tanto no primeiro contato com as vítimas quanto no atendimento presencial no escritório, numa tentativa de dificultar a identificação. Virgínia e Helena eram os principais nomes.

Durante os depoimentos, vítimas distintas reconheceram os investigados como participantes do golpe. 

Segundo a polícia, a principal responsável pelo esquema seria uma mulher de 44 anos, apontada como a líder da organização criminosa. Ela possui extensa ficha criminal por estelionato e utiliza tornozeleira eletrônica

O Modus Operandi

  • A isca: abordagem via WhatsApp simulando bancos oficiais e oferta de juro baixo.
  • O escritório: uso de sedes físicas no Bom Fim para passar credibilidade.
  • A sedação: uso de substâncias no café para anular a resistência do idoso.
  • A fraude: uso de biometria e assinaturas para criar empréstimos não autorizados.

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Procure ajuda

  • Disque 100
  • Polícia Civil: telefone 197 e WhatsApp (51) 98444-0606
  • Delegacia Online da Polícia Civil no RS
  • Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Porto Alegre: Palácio da Polícia, Avenida Ipiranga, 1.803, bairro Santana - 51 3288-2303
  • Defensoria Pública do Estado do RS: orientação jurídica e ações civis
  • Ministério Público: (51) 3295-1100
  • CRAS e Creas: apoio social e acompanhamento familiar

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