Em São Paulo
Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Marcola, chefe da facção, e familiares dele também são alvo da investigação

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa nesta quinta-feira (21) em uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegou ao Palácio da Polícia Civil, no centro de São Paulo, por volta das 9h30min.
Conforme a investigação, ela teria recebido mais de R$ 1 milhão em esquema para maquiar recursos da organização criminosa. O chefe da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, também é alvo da investigação, bem como o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Paloma, apontada como intermediária, presa na Espanha, e Leonardo Alexsander, indicado como destinatário de recursos, na Bolívia. Já Marcola e Alejandro permanecem na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre as novas ordens judiciais.
No total, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 357,5 milhões em valores ligados aos investigados, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
De acordo com o g1, Everton de Souza, o Player, apontado como operador financeiro da organização, também foi preso. Ele seria responsável por orientar a distribuição de valores e indicar contas para depósitos.
O influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador também foram alvo de buscas. A polícia cumpre ainda ordens de busca em endereços ligados à influenciadora.
Procurado pelo g1, o advogado de Deolane afirmou que está se inteirando dos fatos. Já o defensor de Marcola, Bruno Ferullo, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem.
Quem são os alvos da operação
- Deolane Bezerra: investigação revelou conexões financeiras com contas ligadas a advogada
- Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola): apontado como chefe do PCC, está preso na Penitenciária Federal de Brasília e foi comunicado sobre a nova ordem de prisão preventiva
- Alejandro Camacho: irmão de Marcola, também está preso na Penitenciária Federal de Brasília e foi notificado sobre a nova ordem de prisão
- Everton de Souza: apontado como operador financeiro da organização, responsável por orientar a distribuição de valores e indicar contas para depósitos
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho: apontado como o destinatário do dinheiro lavado
- Paloma Sanches Herbas Camacho: apontada como intermediária nos negócios da família, foi presa na Espanha.
"Acusações injustas"

As irmãs de Deolane se manifestaram sobre a prisão da advogada por meio dos stories do Instagram. Dayanne Bezerra afirmou que as acusações contra a irmã são injustas. Já Daniele Bezerra afirmou que Deolane é alvo de perseguição e que continuarão "confiando na verdade, na Justiça, e no direito de defesa".
Investigação
A investigação aponta que a estrutura de lavagem de dinheiro envolvia uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), utilizada como empresa de fachada para movimentação de recursos ilícitos.
A apuração começou em 2019, após a apreensão de bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou indícios da estrutura interna da facção e deu origem a três inquéritos sucessivos, que ampliaram o alcance das investigações.
Um dos documentos mencionava uma "mulher da transportadora", o que levou à identificação da empresa suspeita de operar como braço financeiro do grupo criminoso. A partir daí, foi deflagrada a Operação Lado a Lado, em 2021, que identificou movimentações financeiras incompatíveis e uso da transportadora para lavagem de dinheiro.
A análise do celular de um dos investigados, apontado como operador central, revelou conexões financeiras com contas ligadas a Deolane Bezerra e a outros envolvidos, abrindo uma nova fase da investigação.
Segundo a polícia, Deolane teria recebido valores provenientes da organização criminosa por meio de depósitos fracionados, prática conhecida como smurfing, usada para dificultar o rastreamento. Entre 2018 e 2021, foram identificados mais de R$ 1 milhão em depósitos na conta pessoal da advogada.
Também foram localizados cerca de R$ 716 mil transferidos para empresas ligadas à influenciadora sem comprovação de origem ou prestação de serviços que justificassem os valores. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome dela. Para os investigadores, a atividade empresarial e a exposição pública da influenciadora teriam sido utilizadas como forma de dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Ao autorizar as prisões e medidas cautelares, a Justiça paulista considerou haver indícios consistentes de participação dos investigados no esquema, além de risco de continuidade das atividades criminosas, destruição de provas e fuga. Também foi destacado o grau de sofisticação da organização e a atuação de alguns envolvidos no Exterior.
A operação atual, chamada Vérnix, é a terceira fase da investigação e busca aprofundar o rastreamento de ramificações financeiras e patrimoniais do esquema.
Presa em 2024
Esta é a segunda prisão de Deolane. A influenciadora já havia sido detida em setembro de 2024 em uma operação da Polícia Civil de Pernambuco contra uma organização criminosa voltada à prática de lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
A influenciadora foi solta cerca de 20 dias depois, após decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Durante a detenção, ela ficou na Colônia Penal Feminina de Buíque, a cerca de 280 quilômetros da capital pernambucana.