Polícia



Operação Elo Bélico

Disparos contra policiais levam a operação com 29 ordens de prisão contra rede de entrega de drogas no Vale do Sinos

Principal alvo do grupo era operador logístico da organização criminosa e atirou contra agentes durante abordagem

28/05/2026 - 10h20min


Guilherme Milman
Guilherme Milman
Enviar E-mail

Uma grande rede de distribuição de drogas e armas com atuação no Vale do Sinos é alvo de operação da Polícia Civil nesta quinta-feira (28). São cumpridos 29 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão. 

Até o momento, 20 pessoas foram presas. As ordens são cumpridas em Cachoeirinha, Campo Bom, Capão da Canoa, Charqueadas, Novo Hamburgo, Porto Alegre e São Leopoldo e em municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro.

A Operação Elo Bélico começou a partir de uma abordagem que levou a uma tentativa de homicídio contra policiais civis. Em janeiro deste ano, foram identificados imóveis no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, que eram usados para armazenar mercadorias. Ao identificar a movimentação de um homem transportando drogas na região, os agentes abordaram o indivíduo, que respondeu com disparos. Nenhum policial foi atingido e o criminoso fugiu mas deixou o celular no local.

A partir disso, foi identificado um esquema que envolvia outros Estados na entrega de diferentes drogas como maconha, haxixe e cocaína até cidades do Vale do Sinos. O autor dos disparos servia como operador logístico e é o principal alvo da operação.

Os investigados mantinham contatos com pessoas no Paraná para organizar o deslocamento das mercadorias para o Rio Grande do Sul. O esquema era mantido por meio de mensagens, em que os membros organizavam entrega de fretes, contratação de motoristas e caminhões, rotas, pagamentos, locais de entrega, batedores e monitoramento de barreiras policiais.

— Eles faziam o fretamento de caminhões para trazer drogas à Região Metropolitana. Em uma das situações que a gente apurou, algumas mulheres eram recrutadas para trazer armamentos enrolados no corpo. Eram cerca de 10 armas por viagem —  explica a delegada Ana Flávia Leite, titular da 4ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico.

"Botar fogo nesses pneus"

Imagens e diálogos obtidos em grupos de mensagens mostram ainda que os criminosos escondiam as drogas em locais pouco usuais, como no interior dos pneus de caminhões que faziam o transporte. Em uma troca de áudios entre o principal alvo e o motorista do caminhão, eles discutem o melhor local para fazer a troca, remover os pneus do veículo e ter acesso à mercadoria.

— Mas é que ali em Estância Velha vai ter que entrar pra dentro da cidade. É melhor na beira da faixa (estrada) — avalia um dos criminosos.

Em outro diálogo, o responsável pela logística levanta a possibilidade de queimar os pneus em uma oficina ligada ao esquema para ter acesso à droga:

— Ele foi lá buscar o neném dele para ele botar fogo nesses pneus e encher eles.

Os participantes do esquema faziam vídeos para mostrar como iriam levar os entorpecentes durante o trajeto. Em um deles, um pacote de drogas é colocado em um aparelho de rádio.

Últimas Notícias