Polícia



Ao menos 12 vítimas

"O site era idêntico ao do banco", diz servidora que perdeu R$ 22 mil em golpe do falso boleto

Caso ocorrido em dezembro deu início a investigação, que levou a operação realizada nesta terça-feira

19/05/2026 - 16h53min


Guilherme Milman
Guilherme Milman
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Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Vítima acessou site falso e acabou fornecendo dados pessoais aos golpistas.

Uma servidora pública gaúcha perdeu R$ 22 mil em um golpe quando buscava quitar o financiamento do seu carro. O caso ocorrido em dezembro do ano passado deu início à investigação que levou à Operação Recall, realizada na manhã desta terça-feira (19). São cumpridos nove mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em quatro cidades paulistas: São Paulo, Guarulhos, Piracicaba e Carapicuíba.

A vítima, que não será identificada, conta que quis aproveitar a venda de um apartamento para quitar dívidas.

— Lembrei que eu tinha o financiamento do meu veículo e entrei num site de busca. Busquei pelo banco do meu financiamento e ali pedia pra entrar no WhatsApp para conversar com a provável funcionária da empresa — conta.

A servidora não percebeu que o site era falso. A polícia explica que os criminosos pagaram ao site de buscas para que a página falsa aparecesse no topo da pesquisa, prática comum entre empresas. Durante a conversa, os golpistas solicitaram dados pessoais, enquanto, ao mesmo tempo, utilizavam o site verdadeiro para acessar a conta da vítima:

— Ela solicitou o meu CPF, pediu a confirmação do meu e-mail e eu disse que estava correto. Provavelmente ela entrou na minha conta com o meu CPF e me enviou este e-mail que era um código e eu forneci o código para ela. Esse código fez com que ela acessasse todos os meus dados.

Com acesso aos dados cadastrais, os criminosos calcularam o valor a ser quitado, de R$ 22 mil, e produziram um boleto falso.

— Quando chegou um novo boleto do meu financiamento pelo banco, percebi que realmente eu tinha caído num golpe. O site era muito parecido, era idêntico ao do banco. A quantidade de parcelas que faltava eu pagar era exatamente aquela. Então, quando ela te dá tudo isso, tu pensa: "É o banco, ninguém mais vai saber isso, nenhum golpista vai saber isso" — relata a servidora.

Após cair no golpe, a vítima diz ter mudado a forma como busca informações na internet.

— Me sinto totalmente alerta para fornecer qualquer tipo de informação. Então não dou mais informação nenhuma e sempre vou verificar para entrar no site correto da empresa, nunca mais em site de busca — conclui.

A operação é coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas. Além desta vítima, foram identificados outros 11 casos semelhantes, com prejuízo total de cerca de R$ 300 mil.

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