Região Metropolitana
Caso Oliver: prefeitura de Viamão será responsável pelo funeral do corpo do menino
Município arcará com todos os custos dos procedimentos


A prefeitura de Viamão confirmou, nesta segunda-feira (20), que será responsável por realizar o funeral de Oliver Grayson, menino de três anos que morreu após ser espancado pelo pai no início de julho. O município, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, irá arcar com todos os custos do velório e sepultamento.
De acordo com a prefeitura de Viamão, a família se enquadra nos critérios de vulnerabilidade e, por isso, pode ser realizado o enterro social.
Nesta segunda-feira, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) havia solicitado à Justiça que o corpo da criança fosse entregue ao município para a realização do funeral. O pedido se dá porque o corpo segue no Departamento Médico-Legal (DML) por não haver um representante da família para retirá-lo e fazer o enterro. Conforme o MPRS, a decisão foi acatada pela Justiça.
Procurado por Zero Hora, o Tribunal de Justiça do Estado informou que o processo tramita em segredo de justiça, razão pela qual não é possível divulgar detalhes neste momento.
Na última semana, o Ministério Público havia solicitado autorização para que a mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, que está presa preventivamente, fosse ao DML fazer o reconhecimento formal do corpo. A Justiça autorizou a medida.
No entanto, segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública, à qual o Instituto-Geral de Perícias (IGP) é vinculado, o corpo já havia sido recebido e identificado pelo próprio DML. Depois disso, foi liberado para retirada por um familiar ou representante legal.
Nesta tarde, a defesa de Mayanna, representada pela advogada Isabel Cochlar, afirmou que estava em "tratativas para realizar o velório". Ela disse, ainda, que está buscando autorização para que a cliente possa participar do velório do filho.
Relembre o caso
No dia 5 de julho, Oliver deu entrada no Hospital de Pronto Socorro (HPS) após ter sido espancado pelo pai, Dandre Grayson. O homem confessou ter agredido o filho por ele não ter lhe dado "bom dia".
Dandre, que diz ser missionário e prega para igrejas evangélicas, foi preso preventivamente.
A criança ficou internada três dias, e teve a morte confirmada na noite do dia 9. No dia seguinte, a mãe, Mayanna, também foi presa de forma preventiva. Segundo a Polícia Civil, ela é suspeita de omissão e tortura.
A família já era acompanhada havia oito meses pelo Conselho Tutelar e pela prefeitura de Viamão. Uma enfermeira acionou a rede de proteção após verificar machucados nos corpos das crianças. No entanto, relatório não apontou vestígios de violência.
Havia histórico de violência ou de acompanhamento do poder público em ao menos três cidades: Águas de Lindoia e Mogi Mirim, em São Paulo, e Palmitos, em Santa Catarina.
O Tribunal de Justiça, Ministério Público e Polícia Civil afirmam que não receberam nenhuma informação sobre a família.
O inquérito policial segue em andamento, com previsão de conclusão em até 30 dias a partir do início das investigações.