Polícia



Entrevista na Gaúcha

Guarda Municipal vai analisar conduta de agente após impasse com ONG no Viaduto da Conceição

Imagens de câmeras corporais serão avaliadas após atrito sobre local de distribuição de refeições; corporação nega necessidade de autorização prévia para a entrega dos alimentos

24/07/2026 - 15h36min

Atualizada em: 24/07/2026 - 15h37min


Kathlyn Moreira
Kathlyn Moreira
Enviar E-mail

A Guarda Municipal (GM) de Porto Alegre vai analisar as imagens da câmera corporal do agente que abordou voluntários da ONG Cozinheiros do Bem na noite de quinta-feira (23), no Viaduto da Conceição. O caso ocorreu durante a distribuição de refeições a pessoas em situação de rua. Na ação, o servidor exigiu um documento de autorização para a entrega dos alimentos. 

A confirmação da análise interna foi feita pelo comandante da instituição, Marcelo Nascimento, em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta sexta-feira (24).

O relato da ONG

Um vídeo publicado nas redes sociais do grupo de voluntários registrou o momento em que o agente questiona o líder do projeto, Julio Ritta.

Também em entrevista ao Timeline, o ativista social destacou que foi perguntado pelo agente se a ONG possuía uma liberação do poder público e da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para ocupar o espaço.

— De forma truculenta, ele falou: “tu não vai sair daqui, tu não vai para o outro lado da rua” e eu falei para ele: “olha só, aqui desse lado da calçada já tem mais de 500 pessoas”. O outro lado da rua ali na Alberto Bins tem uma calçada muito estreita que fica entre a Alberto Bins e o corredor dos ônibus que passam ali, é uma área completamente insegura e eles queriam que a gente passasse para o outro lado da rua — descreveu ele.  

A ONG faz distribuições de alimentos no local há 11 anos. A região é monitorada pela Guarda Municipal, que já acompanhou outras ações. 

O posicionamento da Guarda Municipal

O comandante Marcelo Nascimento classificou o episódio como um desentendimento e reforçou que não é necessária autorização prévia para a entrega de refeições na Capital.

— Ele (o agente) solicitou que a entrega fosse feita em um outro local ainda ali no viaduto, alguns metros mais adiante, para o outro lado da rua. Com a negativa, houve essas alterações de ambos os lados. Na minha opinião, faltou apenas uma conversa mais clara. Faltou da nossa parte o esclarecimento de que não estamos aqui para impedir a entrega dos alimentos, precisamos apenas que a gente se reposicione para que não tenhamos nenhum tipo de problema — observou.

Nascimento disse que o patrulhamento é rotineiro na área para manter a segurança e que reconhece a importância do trabalho realizado pelos voluntários. O comandante da Guarda Municipal também garantiu que serão tomadas providências se a avaliação interna identificar algum tipo de excesso.

— Todos os atos, principalmente aqueles que geram algum tipo de repercussão, são analisados. Podem ter certeza, se houver algum desvio de conduta de qualquer um dos agentes, ou também algum outro indício de crime de qualquer outra pessoa no entorno, todas as medidas vão ser tomadas — afirmou o comandante.

Em contraponto, Ritta argumentou que a abordagem foi violenta e cobrou esclarecimentos.

—  Alguns instantes antes de a gente chegar, um outro grupo tinha acabado de entregar comida no mesmo local, e não teve problema. Quando nós chegamos ali, foi aquela abordagem truculenta, tinham muitas armas empunhadas, tinham pessoas com gás, era uma tropa do choque, ali deles, com escudo. Muitas crianças ficaram assustadas, e isso causa um trauma, eu gostaria que isso realmente fosse apurado — sustentou o líder da ONG.

Próximos passos

Sobre a continuidade das ações sociais na região, a Guarda Municipal informou que buscará uma conciliação com os voluntários. A proposta é definir, em conjunto nas próximas abordagens, um ponto do Viaduto da Conceição que garanta o trabalho da ONG e a operacionalidade dos veículos da segurança pública.

Últimas Notícias