Rio Grande
Pedido por WhatsApp e pagamento por Pix: como funcionava delivery de drogas desmantelado no Cassino
Investigação da Polícia Civil identificou que grupo fazia entregas com carros e motos e tinha "central de atendimento"

As investigações da Polícia Civil sobre a Operação Meandro revelaram detalhes do esquema de tele-entrega de drogas que atuava no Balneário Cassino, em Rio Grande.
Segundo o delegado Ronaldo Coelho, responsável pela 3ª Delegacia de Polícia e pela investigação, o grupo funcionava como um serviço de delivery: os pedidos eram feitos por WhatsApp, as entregas eram realizadas em carros ou motocicletas e o pagamento feito por Pix na maioria das vezes.
A segunda fase da operação foi deflagrada no início de julho, quando oito pessoas foram presas. Sete delas tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e um oitavo investigado foi preso em flagrante por tráfico de drogas durante o cumprimento dos mandados.
De acordo com o delegado, apenas um dos sete presos preventivamente foi colocado em liberdade posteriormente, mediante monitoramento eletrônico. Os demais seguem presos.
Pedidos por mensagem e entregas na porta de casa

Segundo a investigação, o grupo mantinha um número de telefone que era compartilhado entre usuários interessados em comprar drogas. A partir desse contato, os clientes solicitavam a entrega do entorpecente no endereço desejado.
— O esquema funcionava no próprio sentido da palavra, uma verdadeira tele-entrega. Através do WhatsApp, o número era distribuído entre uma grande agenda de usuários, que solicitavam a entrega da droga na porta de casa ou em outro local escolhido. As entregas eram feitas por carros ou motos e, além do valor da droga, normalmente era cobrada uma taxa pela entrega — explica Ronaldo Coelho.
A principal droga comercializada era cocaína, mas, ao longo da investigação, a Polícia Civil identificou também a venda de maconha.
Primeiro flagrante levou à identificação do grupo
As investigações começaram em janeiro deste ano, quando a primeira fase da Operação Meandro identificou um dos entregadores do esquema.
Na ocasião, o suspeito e a companheira foram presos em flagrante enquanto realizavam uma entrega no Balneário Cassino.
Durante o cumprimento de mandado de busca na residência do casal, os policiais encontraram drogas e apreenderam celulares, que se tornaram fundamentais para o avanço das investigações. Posteriormente, ambos foram colocados em liberdade.
Segundo o delegado, a análise do conteúdo dos aparelhos permitiu identificar outros integrantes da organização criminosa.
— Após quatro meses de investigação, principalmente com as informações extraídas dos celulares apreendidos, conseguimos identificar outros envolvidos, os fornecedores, pontos de venda e também a comercialização de outros tipos de drogas — afirma.
Conversas revelavam organização do tráfico
A investigação apontou que o entregador não tinha contato direto com os clientes. Os pedidos eram recebidos por uma espécie de "central de atendimento", responsável por despachar os motociclistas ou motoristas para realizar as entregas.
As mensagens trocadas entre os integrantes demonstravam a informalidade da comunicação.
— Entre quem recebia os pedidos e o entregador não havia cerimônia. Era algo como "entrega uma lá", "uma bucha no local tal", "uma bucha para o indivíduo tal". O entregador apenas recebia a quantidade e o endereço. O pagamento, geralmente via Pix, era feito para outra pessoa — relata o delegado.
Segundo a Polícia Civil, não foi possível mensurar quantas entregas eram realizadas diariamente, mas a movimentação identificada durante a investigação indica um grande volume de comercialização.
Drogas vinham de outros bairros
As investigações também mostraram que os entorpecentes não ficavam armazenados apenas no Balneário Cassino.
Conforme a Polícia Civil, os suspeitos buscavam drogas em outros pontos de Rio Grande para abastecer o serviço de tele-entrega. Por esse motivo, além do Cassino, a segunda fase da Operação Meandro cumpriu mandados nos bairros Getúlio Vargas e Sítio Santa Cruz.
Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Todos os alvos foram localizados durante a operação, além da prisão em flagrante de mais um homem por tráfico de drogas.
Segundo a Polícia Civil, a investigação prossegue para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação do grupo criminoso no município.
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