Caso Samylle
"Ele confessou que, com o intuito de correção, de ensiná-la, deu palmadas", diz delegada sobre morte de menina de quatro anos
Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, 22 anos, tio da criança, foi preso preventivamente nesta quarta-feira e e encaminhado para a 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente
O tio da menina de quatro anos que morreu após sofrer agressões no último domingo (16), em Porto Alegre, confessou à polícia ter agredido a criança. Ele foi preso na quarta-feira (20), suspeito de envolvimento na morte de Samylle Valentina Borba Ramiro.
— Ele confessou que a menina teria feito cocô nas calças e com o intuito de correção, de ensiná-la a não fazer novamente, deu palmadas — detalhou a delegada Alice Fernandes, responsável pelo caso.
Segundo a delegada, Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, 22 anos, não soube precisar o horário em que as agressões aconteceram. Disse apenas que foi enquanto a companheira dele ainda não tinha chegado em casa, ao longo do domingo.Ele costumava cuidar de Samylle enquanto a tia da criança trabalhava em um shopping, acrescentou Alice.
O homem negou o uso de objetos, sustentando que utilizou apenas as mãos para as palmadas. Nicolas foi encaminhado à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado, a audiência de custódia está prevista para esta sexta-feira (21).
A delegada disse ainda que o suspeito, em depoimento, negou qualquer outro tipo de agressão, seja de natureza sexual ou em outras partes do corpo da vítima. Ele afirma que a menina chorou durante o episódio, mas que, posteriormente, passou a apresentar sonolência e sede.
O atendimento médico só foi buscado quando a criança começou a espumar pela boca, apresentar moleza no corpo e dificuldade de respiração.
Segundo a delegada, Staubuss, ao agredir a criança, assume o risco de matá-la:
— Ele confessou agressão que levou à morte. Confessou palmadas. Em decorrência, ela piorou, chegou sem vida na UPA. Considerando que é uma menina de quatro anos, a partir do momento que um adulto desfere uma agressão, ele aceita o risco de causar morte. Em razão de todo esse contexto que ele assume o resultado morte, é homicídio doloso.
A investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias da morte e responsabilizar todos os envolvidos. A polícia aguarda a conclusão dos laudos periciais e realiza a extração de dados de aparelhos celulares apreendidos.
Entenda o caso
Na quarta-feira (19), Zero Hora revelou que a causa da morte da criança foi politraumatismo e que uma testemunha disse à polícia que o tio teria agredido a menina por ela ter deixado escapar cocô. Essa testemunha é a tia, que contou ter chegado em casa e encontrado Samylle ferida.
A perícia também indicou que a criança não sofreu violência sexual. Os exames reforçaram as suspeitas da Polícia Civil de que Samylle havia sido agredida.
A guarda judicial de Samylle pertencia à mãe, mas a menina estava morando com os tios. A tia possuía um termo de responsabilidade emitido pelo Conselho Tutelar em julho. A mãe de Samylle afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que não via a filha há dois meses.
Na UPA, na madrugada de segunda-feira (17), o casal relatou ter buscado atendimento porque a menina teria tido uma convulsão e que os hematomas seriam decorrentes de uma queda durante uma brincadeira. A polícia ainda aguarda os laudos oficiais da perícia.
Na noite desta quinta-feira (20), a defesa da mãe da criança enviou nota à imprensa. Leia a íntegra:
"NOTA À IMPRENSA
A família de Samylle Valentina Borba Ramiro. esclarece que a mãe, Carolina Fagundes Ramiro, prestou depoimento ontem à autoridade policial e relatou os fatos conforme ocorreram.
A mãe não estava presa, conforme foi divulgado por alguns meios de comunicação. Ela compareceu para prestar esclarecimentos e permanece colaborando com as investigações.
Por razões relacionadas ao segredo de Justiça, não é possível detalhar as circunstâncias envolvendo a guarda das filhas. Registra-se, contudo, que a mãe teve a guarda das crianças retirada em duas ocasiões: a primeira, há aproximadamente um ano, e a segunda, cerca de dois meses antes do ocorrido, quando a filha foi levada para a residência de uma tia.
Desde então, a mãe afirma que vinha sendo impedida pelos tios de visitar a filha e até mesmo de conversar com ela por telefone. As únicas informações eram obtidas por meio da irmã mais velha, que eventualmente conseguia visitá-la. Nas últimas duas semanas, porém, nem mesmo esse contato teria sido permitido.
A família está profundamente consternada com o ocorrido e informa que adotará todas as medidas cabíveis para esclarecer os fatos e buscar a responsabilização adequada perante a Justiça.
Por respeito à criança e ao segredo de Justiça, a família não divulgará outras informações que possam expô-la ou prejudicar as investigações.
Porto Alegre, 20 de agosto de 2026
Lesliey Gonsales Gressler
OAB/RS 87.539"