Segurança
Furto e abate de cavalos e mulas preocupam produtores em Canguçu; polícia investiga possível ação de receptadores
Quatro ocorrências envolvendo cerca de 10 animais foram registradas em dois meses; polícia apura destino da carne retirada dos equinos


O furto e o abate de cavalos e mulas têm preocupado proprietários de animais em Canguçu, no sul do Estado. A Polícia Civil investiga uma sequência de casos registrados nos meses de junho e julho e busca identificar os responsáveis. Até o momento, quatro ocorrências, envolvendo cerca de 10 equinos, foram formalizadas na delegacia.
O delegado Luciano Cabrera afirma que a quantidade de casos registrada em um curto intervalo de tempo chamou a atenção da polícia.
— Identificamos uma sequência agora localizada nos meses de junho e julho nesse caso de abate de equinos. Então estamos tomando as medidas e já juntamos bastante informação. Buscamos, então, elucidar a autoria e interromper essa prática — explica.
Uma das ocorrências foi registrada por câmeras de segurança. Nas imagens, um homem entra em uma propriedade no Centro de Canguçu e, cerca de dois minutos depois, deixa o local montado em um cavalo.
A investigação também tenta descobrir qual era o destino dos animais abatidos e da carne retirada deles. Conforme Cabrera, essa é uma das principais linhas seguidas pela polícia.
— Nesses casos, na grande maioria deles, o animal foi abatido e houve a retirada da carne. Então trabalhamos com essa linha investigativa de que também existia o receptador ou receptadores — afirma.
Dono perde duas mulas e relata sensação de insegurança
O gestor de equipe Valber Quintana está entre as vítimas. Ele teve duas mulas furtadas da propriedade. Os animais eram utilizados em atividades esportivas, como o laço comprido, e também faziam parte da rotina dos três filhos.
— Eu tenho três guris que eram apaixonados pelos animais. Para muitos não têm valor, mas para mim tinham — conta.
Segundo Valber, as mulas estavam no local por volta das 20h, quando ele foi levar comida aos animais. Na manhã seguinte, haviam desaparecido.
A suspeita de que alguém tenha acompanhado a rotina da propriedade aumentou a sensação de insegurança. Valber afirma que gostaria de voltar a ter animais, mas pretende esperar o avanço da investigação antes de tomar uma decisão.
— Vou esperar um retorno da autoridade para ver se vão conseguir prender alguém para a gente ficar mais aliviado — afirma.
Quatro equinos foram levados de uma propriedade

O empresário Lázaro Leal também teve animais furtados. Quatro equinos foram levados de sua propriedade: três dele e um pertencente a um colega que mantinha o animal no local.
Entre os animais havia duas éguas, uma delas prenha, e dois cavalos. Segundo Lázaro, os equinos foram retirados pelo fundo da propriedade e abatidos em outro ponto.
— Mataram eles de uma forma covarde. Carnearam eles no fundo do campo — relata.
Os animais não eram utilizados para trabalho. Faziam parte do lazer da família e eram usados em cavalgadas.
— Eram animais de estimação — conta.
Além do vínculo afetivo, o prejuízo financeiro também foi significativo. Lázaro estima que os quatro animais valiam, juntos, cerca de R$ 40 mil.
— Todos os animais registrados, animais de qualidade boa, genética alta — afirma.
Depois do episódio, o campo onde os animais costumavam ficar está vazio. Lázaro diz que, por enquanto, não pretende adquirir novos equinos.
— A gente fica com uma revolta muito grande, um sentimento forte pelos animais e encontrar eles daquela forma — lamenta.
Polícia suspeita que número de casos seja maior e pede registros
A Polícia Civil acredita que o número real de animais furtados ou abatidos pode ser maior do que o contabilizado oficialmente. Por isso, o delegado faz um apelo para que proprietários comuniquem os casos às autoridades.
— O que nós temos formalizado são quatro ocorrências desses meses de junho a julho, com cerca de 10 animais. Contabilizamos 10 animais abatidos ou, em casos, subtraídos. Pode haver pessoas que não fizeram esse registro. Isso é importante também pontuar — explica Cabrera.
Para o delegado, o registro de novas ocorrências pode ajudar a polícia a cruzar informações, identificar padrões e reunir provas sobre os autores e eventuais receptadores.
— A gente faz esse apelo à população para que registre, para a gente juntar um manancial maior de informações, conseguir consolidar elementos e provas adequadas para elucidar e interromper essa prática — solicita.
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