Bala perdida
Homem é condenado a 15 anos de prisão por morte de estudante na Restinga
Fabiano de Souza, 21 anos, foi sentenciado por homicídio qualificado após atingir Camilla Lopes Fruck, 25 anos, durante confronto com facção rival


Após mais de oito horas de júri, Fabiano de Souza, 21 anos, foi condenado a 15 anos de prisão pela morte da estudante de enfermagem Camilla Lopes Fruck, 25 anos. A sentença do Tribunal do Júri foi proferida nesta quinta-feira (6), no Fórum Central de Porto Alegre.
A jovem foi atingida por bala perdida durante uma troca de tiros entre integrantes de grupos criminosos rivais na Restinga, na zona sul da Capital. O réu foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de meio que resultou em perigo comum, na forma de erro na execução.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o homem participava de uma troca de tiros relacionada a disputas do tráfico de drogas quando a morte aconteceu. Diversos tiros foram efetuados em via pública, na Estrada João Antônio da Silveira, e acabaram atingindo a estudante.
Segundo o MP, a investigação apontou que a vítima não tinha relação com o confronto.
— Embora a admissão do réu da autoria, ele alegava legítima defesa por causa do confronto entre facções. Num erro de execução, na legítima defesa, segundo ele, ele atingiu alguém que ele não queria atingir. Mas nós demonstramos que não há legítima defesa quando duas facções rivais se encontram, porque ambos estão preparados para uma guerra — disse o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, que sustentou a acusação.
Ainda segundo o promotor, o MP vai recorrer para aumentar a pena. Em nota, a defesa de Fabiano de Souza afirmou que "respeita a decisão" e que, por escolha do acusado, não irá apresentar recurso. Leia na íntegra.

Relembre o caso
O crime ocorreu na madrugada de 16 de novembro de 2024, na Estrada João Antônio da Silveira. Camilla estava na carona de um carro, estacionado em frente a uma loja de bebidas, quando começou o confronto. Ela foi atingida na cabeça e levada pelos amigos ao Hospital da Restinga, mas não resistiu.
De acordo com a investigação, o atirador estava a poucos metros do carro em que Camilla se encontrava. Do outro lado da Esplanada da Restinga, outros homens também efetuavam disparos.
Duas amigas estavam no veículo com Camilla e não foram atingidas. Os outros ocupantes haviam descido pouco antes do início do tiroteio. Ao perceberem que a jovem havia sido baleada, eles seguiram para o hospital.

Réu havia sido preso quatro dias antes
Fabiano foi identificado pela 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre e preso na casa de parentes, em Butiá, na Região Carbonífera. À época, a Polícia Civil informou que ele atuaria como segurança de um ponto de tráfico de drogas. Interrogado durante a investigação, ele permaneceu em silêncio.
Um revólver calibre 357 apreendido pela Brigada Militar no mesmo dia do crime foi apontado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) como a arma usada para matar Camilla. O armamento foi encontrado em um carro abordado na Restinga.
Quatro dias antes do homicídio, Fabiano, então com 19 anos, havia sido preso com 129 munições de três calibres. Ele foi liberado após audiência de custódia porque não houve pedido da Polícia Civil ou do Ministério Público para a conversão do flagrante em prisão preventiva.
Na ocasião, foram determinadas medidas cautelares, como o comparecimento à Justiça quando intimado e o recolhimento domiciliar entre 21h e 5h. Fabiano deixou o sistema prisional na manhã de 13 de novembro.
O caso gerou comoção na Capital. Familiares chegaram a fazer, na época, manifestações pacíficas pedindo mais segurança.
Quem era

Camilla Lopes Fruck, 25 anos, era considerada apaixonada pela vida, alegre e amigável. A vítima vivia no bairro Belém Novo, na Zona Sul, região onde aconteceu o assassinato.
Segundo a amiga Endriely Barbosa, Camilla havia sido aprovada em um emprego recentemente e começaria na nova vaga na segunda-feira seguinte ao crime.
Nas redes sociais, a vítima se identificava como estudante de técnico de enfermagem e torcedora do Internacional. Além disso, ela tinha a pet Pandora, a qual era muito apegada. A cachorrinha ficou sob os cuidados da família.
O que diz a defesa
NOTA À IMPRENSA
A defesa Fabiano de Souza informa que respeita a decisão proferida pelo Conselho de Sentença, em observância ao princípio constitucional da soberania dos veredictos.
Esclarecemos, ainda, que, por escolha do acusado, não será interposto recurso contra essa decisão.
Porto Alegre, 06 de agosto de 2026
Évelyn Santi de Souza
Leandro da Cruz Soares