Motivo torpe
Homem é condenado por matar, esquartejar e queimar corpo de amigo por dívida de R$ 57 mil no RS
Victor Batista Ferraz foi julgado em Porto Alegre por crime cometido no final de 2017

O acusado de matar, esquartejar e queimar o corpo de Jonathan Rafael Maria, 31 anos, e ainda furtar os seus bens, foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão. O júri foi realizado em Porto Alegre na terça-feira (26). O crime foi motivado por uma dívida de cerca de R$ 57 mil que Victor Bezerra Ferraz tinha com a vítima.
A reportagem procurou a defesa de Ferraz, que não havia retornado até a última atualização desta reportagem. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime foi cometido em 29 de dezembro de 2017, quando Maria foi encontrar Ferraz para cobrar a dívida no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre.

O corpo foi encontrado dias depois, em 2 de janeiro de 2018, às margens da BR-290, em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os jurados reconheceram o homicídio qualificado por motivo torpe, dissimulação, traição e recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos crimes de furto e ocultação de cadáver.
Relembre o caso
A vítima foi atraída sob a falsa promessa de receber o pagamento. A polícia apurou que Maria e Ferraz tinham feito um investimento juntos, mas o réu havia sacado os rendimentos sozinho. Ele passou a cobrar a dívida e chegou a receber um cheque sem fundos. No dia do desaparecimento, a vítima enviou a localização da residência de um familiar do acusado e uma foto do local para a esposa.
Durante a investigação, Ferraz alegou que havia se encontrado com Maria na sua própria casa, que teria pago a dívida e que o amigo havia ido embora. Porém, uma perícia na casa do parente do réu mostrou que o local havia sido inundado, o que seria uma tentativa de apagar vestígios de sangue. Um dedo humano foi encontrado no local.
Além disso, câmeras de segurança mostravam o réu saindo de um posto com galões de combustível. Segundo a denúncia do Ministério Público, Maria foi atingido por um tiro e depois teve o corpo esquartejado e carbonizado.
Ferraz teve a prisão decretada pela Justiça em 3 de janeiro de 2018 e se apresentou à Polícia Civil na noite do mesmo dia. Um ano depois, ele foi liberado da prisão e passou a responder em liberdade, cumprindo medidas como recolhimento domiciliar noturno, comparecimento mensal em juízo e recolhimento do passaporte. A reportagem apura se ele voltou a ser preso no período que antecedeu o julgamento.