Polícia



Em sete casos

Justiça torna réu cirurgião plástico acusado de crimes contra pacientes em Porto Alegre

Leandro Fuchs vai responder por estelionato e falsidade ideológica, ambos com o agravante de ter violado dever profissional; concussão; e ainda injúria racial com uma das vítimas

04/08/2026 - 11h24min


Cristine Gallisa
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Diego Nuñez
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RBS TV/Reprodução
Advogados afirmam que irão provar a inocência do cirurgião plástico Leandro Fuchs.

A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou denúncias em sete casos contra o cirurgião plástico Leandro Fuchs. O Ministério Público acusa o médico de cometer quatro tipos de crime ao operar mulheres entre 2018 e 2023.

A investigação aponta que o médico deixaria residentes operando em seu lugar, sem o conhecimento das pacientes, assinaria os prontuários e, ainda, em alguns casos, cobraria por procedimentos já pagos pelo IPE-Saúde.

As vítimas relataram necroses, infecções, deformações e outras complicações decorrentes das cirurgias. Segundo a polícia, mais da metade das 727 cirurgias analisadas precisaram de reparos. Foram 481 procedimentos que teriam necessitado de novas intervenções, o equivalente a mais de 66%.

Ao todo, 97 inquéritos foram abertos desde que os primeiros casos foram mostrados pelo RBS Notícias, da RBS TV, no início de 2024. A Justiça tornou Fuchs réu em sete processos — ainda existem outras 32 denúncias do Ministério Público e mais 47 investigações estão em andamento na Polícia Civil.

— Não tem como fazer com que muitas delas hoje consigam se olhar no espelho. Muitas delas chegaram aqui e disseram: "Foram anos e anos que eu economizei dinheiro para fazer a cirurgia, era um sonho e hoje eu estou retalhada, hoje não posso me olhar no espelho". Esse é o maior dano às vítimas, que tiveram a autoestima destruída — relata Carla Carrion Frós, que atua na coordenação da Central de Atendimento às Vítimas do MPRS.

Fuchs vai responder por estelionato e falsidade ideológica, ambos com o agravante de ter violado dever profissional; concussão, por suspeita de exigir vantagem indevida valendo-se do cargo público; e ainda injúria racial com uma das vítimas.

Na denúncia, o Ministério Público pediu o arquivamento do crime de lesão corporal por apontar ausência de prova material, a partir da perícia apresentada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP). Também argumenta que o resultado estético de uma cirurgia plástica é dependente de múltiplos fatores e que uma lesão corporal pressupõe a ocorrência de violência.

— O Ministério Público não ofereceu denúncia, por ora, em relação aos crimes de lesão corporal gravíssima, uma vez que o resultado dos laudos feitos pelo IGP foi no sentido de que não haveria como comprovar que aquela cicatriz, que aquela lesão seja em razão da conduta do médico — explica Carla Carrion Frós.

Segundo a defesa de Leandro Fuchs, apesar de autorizado pela Justiça, ele não está exercendo a profissão. Os advogados afirmam que irão provar a inocência dele. (Leia nota abaixo).

O médico atuava no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, de onde foi afastado ainda em janeiro de 2024. Nesta segunda-feira (3), o hospital salientou que ele não integra o grupo (Leia nota abaixo).

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) afirmou que abriu uma sindicância, mas que o processo corre em sigilo. (Leia abaixo).

O que diz a defesa de Leandro Fuchs

"A defesa irá provar a inocência do Dr. Leandro Fuchs. A perícia já afastou a existência de lesões corporais e o Ministério Público entendeu pelo arquivamento. O Dr. Leandro Fuchs exerce a medicina dignamente há mais de 20 anos, sempre em respeito ao Código de Ética Médica e à legislação em vigor. A investigação dura mais 02 anos e está sendo esvaziada pelas provas periciais e documentais existentes. Ao final, temos a certeza de que o Dr. Leandro Fuchs será absolvido de todas as acusações."

Nereu José Giacomolli e Caroline Mrack Giacomolli, do Giacomolli Advocacia e Consultoria.

O que diz o Hospital Ernesto Dornelles

"O Dr. Leandro Fuchs não integra mais o corpo clínico do Hospital Ernesto Dornelles e não exerce atividades como cirurgião plástico na instituição. O Hospital permanece à disposição das autoridades competentes, colaborando sempre que formalmente solicitado."

O que diz o Cremers

"O Cremers foi notificado e, como acontece em todas as denúncias que chegam ao Conselho, abriu sindicância para investigar os fatos. As sindicâncias e processos éticos correm em sigilo por força de lei, conforme previsto no Código de Processo Ético-profissional."

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