Investigação
Mãe é indiciada por homicídio qualificado por omissão após morte de bebê em Pelotas
Polícia Civil concluiu que menino de 1 ano e 7 meses sofreu uma queda e teve agravamento do quadro antes do óbito


A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Pelotas concluiu o inquérito policial sobre a morte de um menino de um ano e sete meses, ocorrida no bairro Fragata, e indiciou a mãe da criança, uma mulher de 33 anos, pelo crime de homicídio qualificado por omissão. A investigação apontou que a falta de atendimento médico após uma queda em casa foi determinante para o óbito.
De acordo com a delegada titular da DPCA, Lisiane Mattarredona, a apuração policial constatou que a vítima sofreu um acidente doméstico dias antes da morte e chegou a ficar desacordada. No entanto, não foi levada para avaliação ou atendimento em um serviço de saúde.
— A omissão da mãe, em não ter levado ao atendimento médico, fez com que aos poucos a criança fosse piorando o estado de saúde até vir a óbito. Foi por conta do acúmulo de sangue na região cerebral — explicou a delegada.

A mulher foi presa preventivamente e levada para a Penitenciária Estadual de Rio Grande. O procedimento foi remetido à Vara do Tribunal do Júri do Foro de Pelotas e tramita sob segredo de Justiça.
O caso agora está sob análise do Ministério Público, que avaliará o indiciamento feito pela Polícia Civil para definir se oferecerá denúncia.
Relembre o caso
A mãe foi presa por agentes da DPCA após a Justiça deferir o pedido de prisão preventiva. A medida foi fundamentada pela gravidade das lesões observadas na criança e pelo risco de fuga, visto que a suspeita planejava deixar a cidade e não compareceu ao velório do próprio filho.
Na data do fato, em 17 de julho, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela própria mulher. Ao chegarem à residência, no bairro Fragata, os socorristas constataram que o bebê já estava morto.
Inicialmente, a investigada alegou que a criança estava doente havia quatro dias e que teria se engasgado com leite. Contudo, o laudo preliminar de necropsia do Instituto-Geral de Perícias (IGP) contrapôs a versão, apontando traumatismo craniano, além de queimaduras, hematomas, escoriações e cortes pelo corpo.
O local onde o menino residia também foi classificado pelas autoridades como insalubre.
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