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Violência contra a mulher

"Poderia ser qualquer uma de nós": amiga lamenta feminicídio de professora em Porto Alegre

Priscila Rosa da Silva, 40 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro enquanto via televisão com a mãe

13/08/2026 - 11h36min


Diego Nuñez
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Prefeitura de Viamão/Divulgação
Priscila Rosa da Silva atuava na rede municipal de Viamão.

Uma pessoa que espalhava energia boa e alegria para onde quer que fosse. Assim, Priscila Rosa da Silva, 40 anos, assassinada pelo ex-companheiro na frente da mãe em Porto Alegre, é descrita por uma amiga.

A professora foi morta a tiros em casa na noite de domingo (9). O ex-companheiro da vítima, com quem conviveu por 19 anos, também foi encontrado morto no local.

Gabriela Paim conheceu Priscila em 2017. Passaram de colegas de trabalho, na Secretaria da Educação de Viamão, para amigas próximas.

Após o crime, Gabriela lamentou a morte de Pri, como chamava a amiga, e fez uma apelo à sociedade.

— Semana que vem, é uma Maria. Na outra, uma Joana. Ontem (domingo), infelizmente, foi a minha amiga. Poderia ter sido eu, poderia ser qualquer uma de nós, e ninguém faz nada. Quando essa realidade vai mudar? Quando que a gente vai viver sem medo? — protesta.

— Não busquem estereótipos. O assassino, muitas vezes, engana muitas pessoas. Ele é um amigão. É um cara bom de conviver. O assassino não é sempre aquele que dá todos os indícios — alerta Gabriela.

A colega descreve Priscila como uma profissional exemplar, que se entregava ao trabalho e tirava o melhor das pessoas:

— Ela acolhia, ela ouvia, mas ao mesmo tempo era firme, conseguia trazer o profissionalismo dela com empatia, cuidado, respeito. Sempre com um sorriso largo.

A amiga ainda diz que Priscila era alguém com quem as amigas podiam contar tanto para compartilhar dores e angústias quanto para comemorar conquistas.

Priscila tinha sonhos que foram interrompidos por um feminicídio — o 48º caso registrado no Rio Grande do Sul apenas em 2026.

— Ela queria muito viajar e conhecer o mundo. Sonhava em fazer isso. Mais para o final da carreira, reduzir a carga horária e aproveitar a vida. Ela tinha muita sede e vontade de viver — conta Gabriela.

Relembre o caso

Priscila Rosa da Silva foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro na Lomba do Pinheiro, na zona leste de Porto Alegre, segundo a Polícia Civil. A mãe da vítima estava no local no momento do assassinato.

Ela era professora e servidora no município de Viamão, na Região Metropolitana. O homem foi identificado como Eduardo Lopes dos Santos, 43, e também foi encontrado morto no local, conforme a polícia.

Segundo a delegada Fernanda Campos Hablich, o homem invadiu a casa da ex-companheira. Eles estavam separados havia cerca de seis meses. Desde a separação, a vítima tinha uma medida protetiva ativa contra o ex-companheiro.

A prefeitura de Viamão divulgou uma nota lamentando o caso e agradecendo pelos 11 anos de serviço de Priscila ao município. O município decretou luto oficial de três dias.



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