Polícia



Em Porto Alegre

Polícia investiga possíveis casos de intolerância religiosa contra candidatas em concurso público

Inquérito foi aberto após ocorrências registradas por duas mulheres que realizaram provas de seleção para a Polícia Penal em 9 de agosto

20/08/2026 - 10h50min


Pâmela Rubin Matge
Pâmela Rubin Matge
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EduLife Photos/stock.adobe.com
Uma das candidatas acabou eliminada do concurso.

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar supostos casos de intolerância religiosa no concurso da Polícia Penal do Rio Grande do Sul. A investigação parte de ocorrências registradas por duas candidatas que realizaram as provas em Porto Alegre, no dia 9 de agosto.

Vinicius Nahan, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), que conduz o caso, explicou que a abordagem às participantes será analisada:

— O que chamou atenção foi o fato de serem pessoas de religiões diferentes. O que vamos verificar é até que ponto as regras do edital interferem na manifestação religiosa e se ocorreu, de fato, a discriminação.

As mulheres relataram à polícia ter sofrido constrangimentos relacionados ao uso de vestimentas religiosas e aos procedimentos de fiscalização.

Em um dos casos, a candidata relatou que, após estar acomodada na sala, foi chamada por uma fiscal para verificar a situação de seu turbanteacessório utilizado por praticantes de religiões de matriz africana. Ela conta que teria recebido a possibilidade de retornar e continuar o exame, mas disse não ter condições emocionais de prosseguir.

A participante também informou que desejava fazer uma ligação telefônica, mas foi alertada pelos fiscais de que o uso de celular poderia resultar em desclassificação. A Brigada Militar (BM) foi acionada, e a mulher dirigiu-se a uma delegacia acompanhada por uma representante da Fundatec, empresa responsável pelo certame. 

Eliminação do concurso

Em outra ocorrência, uma candidata muçulmana relatou ter sido submetida a duas revistas em razão do uso do hijabvéu utilizado por motivos religiosos para cobrir a cabeça e o pescoço. Conforme o registro policial, ela foi inicialmente revistada por fiscais mulheres na entrada e autorizada a ingressar no local de prova.

Cerca de duas horas após o início do exame, teria sido abordada novamente e levada ao banheiro para uma nova revista, sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada. A participante disse que, ao retornar à sala, um fiscal homem teria exigido a retirada do véu.

Ainda segundo a candidata, faltando cerca de 40 minutos para o término da prova, um alarme de baixo volume disparou no seu celular, que estava guardado. Ela afirma que chamou a fiscalização espontaneamente, sem manusear o aparelho, mas acabou eliminada do concurso sem assinar qualquer termo ou receber documento formal.

Contraponto

O que disse a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo

A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo referiu que "a responsabilidade da aplicação das provas do concurso é da empresa contratada, e as regras são previstas no edital. Cabe destacar que a Polícia Penal respeita todas as liberdades sociais e religiosas".

O que disse a Fundatec

A Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências, responsável pela aplicação das provas, informou que não irá se manifestar no momento.

Ocorrências  de preconceito religioso

Porto Alegre

  • 2020 - 1
  • 2021 - 12
  • 2022 - 19
  • 2023 - 44
  • 2024 - 64
  • 2025 - 76
  • 2026* - 15

*até 14/4, conforme a DPCI

RS

  • 2020 - 2
  • 2021 - 22
  • 2022 - 47
  • 2023 - 86
  • 2024 - 149
  • 2025 - 213
  • 2026* - 53

*até 14/4, conforme a DPCI

Como denunciar

Crimes de intolerância podem registrados presencialmente em qualquer delegacia de polícia ou na sede da DPCI:

  • Endereço -  Rua 24 de Outubro, 844, bairro Moinhos de Vento
  •  Horário –  Das 9h às 17h, sem intervalo, de segunda a sexta-feira

O site da Delegacia Online e o WhatsApp da Polícia Civil, 51 98444-0606, também podem ser acionados.



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