Em investigação
Preso o tio da menina de quatro anos morta após agressões em Porto Alegre
Samylle Valentina Borba Ramiro teria apanhado do marido da tia e sofrido politraumatismo; homem confessou que agrediu a menina



Foi preso na manhã desta quinta-feira (20) o tio da menina Samylle Valentina Borba Ramiro, quatro anos, que morreu após sofrer agressões no último domingo (16) em Porto Alegre. Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, 22 anos, que teve a prisão preventiva por homicídio decretada pela Justiça, foi encaminhado à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (3ª DPCA) da Capital. Em depoimento, ele confessou que agrediu a menina.
O homem, que ajudou a levar a criança para a UPA Bom Jesus — onde ela já chegou sem vida —, estava desaparecido desde então. Ele foi encontrado caminhando pela Avenida Azenha e detido pela Brigada Militar. Ele deve ser levado ao Departamento Médico-Legal (DML).
Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, em depoimento, o homem afirmou que agrediu a menina com palmadas na bunda e que essa teria sido a única vez. Segundo a policial, Staubuss, ao agredir a criança, assume o risco de matá-la:
— Ele confessou agressão que levou à morte. Confessou palmadas. Em decorrência, ela piorou, chegou sem vida na UPA. Considerando que é uma menina de quatro anos, a partir do momento que um adulto desfere uma agressão, ele aceita o risco de causar morte. Em razão de todo esse contexto que ele assume o resultado morte, é homicídio doloso.
Ainda conforme a delegada, ele disse que está arrependido. A polícia aguarda laudo pericial para esclarecer a extensão das agressões.

Na quarta-feira (19), Zero Hora revelou que a causa da morte da criança foi politraumatismo e que uma testemunha disse à polícia que o tio teria agredido a menina por ela ter deixado escapar cocô. Essa testemunha é a tia, que contou ter chegado em casa e encontrado Samylle ferida.
A perícia também indicou que a criança não sofreu violência sexual. Os exames reforçaram as suspeitas da Polícia Civil de que Samylle havia sido agredida.
A guarda judicial de Samylle pertencia à mãe, mas a menina estava morando com os tios. A tia possuía um termo de responsabilidade emitido pelo Conselho Tutelar em julho.
Na UPA, o casal relatou ter buscado atendimento porque a menina teria tido uma convulsão e que os hematomas seriam decorrentes de uma queda durante uma brincadeira. A polícia ainda aguarda os laudos oficiais da perícia.