Polícia



Violência de gênero

"Sensação de não poder andar em paz", diz jovem vítima de homem preso por atacar mulheres na rua em Porto Alegre

Universitária, de 25 anos, seguia para o trabalho quando foi ameaçada com facão por desconhecido. Ele é investigado por estupro

13/08/2026 - 16h16min


Leticia Mendes
Leticia Mendes
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Polícia Civil/Divulgação
Investigado foi preso na manhã da sexta-feira pela equipe da 1ª Delegacia da Mulher.

Na tarde de 29 de julho, por volta das 17h40min, uma universitária de 25 anos seguia para o trabalho, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, quando foi abordada na rua de forma violenta por um desconhecido. Segundo a jovem, o criminoso carregava um facão.

O mesmo homem atingiu outra mulher com uma facada no peito, no dia seguinte. Esse segundo caso aconteceu nas proximidades de um hospital, no bairro Santana. Câmeras de segurança flagraram o momento em que ele se aproxima da mulher e atinge a vítima no peito com uma facada. A mulher precisou receber atendimento médico.

O suspeito, um entregador de 25 anos, foi preso de forma preventiva na semana passada. A Polícia Civil o investiga por estupro e tentativa de feminicídio.

No caso da jovem atacada no dia 29, a primeira tentativa de abordagem aconteceu quando ela caminhava pela Rua Jacinto Gomes.

— Ele estava vindo de bicicleta com a bag do aplicativo, e ele deu uma volta ao meu redor e ficou me encarando, e eu percebi isso, e depois ele foi em outra direção. Eu achei que estava tudo bem, que ele tinha ido embora — recorda a vítima, que preferiu não ser identificada na reportagem. 

A jovem seguiu o caminho e, um pouco mais à frente, na esquina com a Ramiro Barcelos, o mesmo homem se aproximou na bicicleta. Neste momento, ele teria passado a cantar uma música de cunho sexual, encarando a vítima. Segundo a mulher, o agressor então mostrou os órgãos genitais e começou a se masturbar.

— Quando eu consegui passar, ele continuou tentando mexer comigo, falando para eu olhar. Espirrei um spray de pimenta em direção a ele, para ganhar tempo e conseguir andar um pouco mais rápido e atravessar a rua. Ele subiu na bicicleta de novo e veio atrás de mim, e aí tirou um facão do casaco e começou a me ameaçar — recorda a jovem.

Ela conseguiu correr até o outro lado da rua e pedir ajuda no Hospital de Clínicas, onde acionou a Brigada Militar. O caso foi registrado por meio da Delegacia Online e passou a ser investigado pela Polícia Civil.

É uma sensação de não poder andar em paz na rua. Além das preocupações normais que todas as pessoas têm, de um assalto, algo nesse sentido, a gente tem a insegurança de, infelizmente, ser atacada só por ser mulher. Eu já andava com esse spray, justamente para em alguma necessidade ter como me defender. A mulher sempre anda insegura na rua — diz. 

Após o episódio, a jovem e familiares dela foram atrás de imagens de câmeras de segurança que tivessem flagrado o caso. A vítima obteve algumas imagens junto a comércios e condomínios, que mostram o homem andando de bicicleta na direção dela. No dia seguinte, a outra mulher foi atacada no bairro Santana. A jovem diz que ficou apavorada quando soube deste novo caso. 

— Acho que o principal sentimento nos primeiros dias foi de revolta mesmo, e por saber que ele estava solto. Até ele ser preso fiquei com muita insegurança, com medo de encontrar ele de novo, e de ele tentar fazer alguma coisa ainda pior. Tive que mudar meu caminho. Espero que outras mulheres tenham coragem de denunciar porque acredito que não foi a primeira vez que ele cometeu esse tipo de crime. Espero que ele fique preso por bastante tempo — afirma.

"Menosprezo à mulher"

A equipe da 1ª Delegacia da Mulher deve concluir até o fim desta semana a investigação sobre o caso. Pelo caso ocorrido no bairro Santana, ele é investigado por tentativa de feminicídio.

— A gente classifica como não íntimo ou não afetivo, que é aquele feminicídio em que acontece a morte, nesse caso tentada, de uma mulher por razões da condição do sexo feminino e não há violência doméstica e familiar, há sim o menosprezo ou discriminação à condição de mulher — explica a delegada Thais Dequech, da 1ª Delegacia da Mulher da Capital.

Após ser preso, o homem admitiu ter esfaqueado a vítima. Segundo a delega, o autor disse “que perdeu a cabeça” e que “está arrependido”. Sobre este segundo caso, da jovem, o homem nega ter cometido o crime. Nos dois fatos, a polícia entende que as vítimas foram escolhidas por serem mulheres.

— Não foi à toa que ele escolheu essas vítimas para a prática do crime. Inclusive nesse da facada, tem um vídeo que circulou bastante (veja acima), é possível ver que tem outras pessoas ali, inclusive homens, mas ele direciona esse ato para uma mulher, sem qualquer vínculo com ela, não teve nenhum relacionamento com ela, não tem vínculo familiar. Ele escolhe a vítima por razões do sexo feminino — afirma.



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