Combate a homicídios
Suspeitos de chacina com quatro mortos na zona norte de Porto Alegre são alvo de operação da Polícia Civil
Crime aconteceu em julho do ano passado na Rua Adelino Ferreira Jardim, no bairro Rubem Berta

Na noite de 22 de julho de 2025, dois criminosos armados com pistolas com seletores de rajada — capazes de efetuar disparos em um curto intervalo de tempo — desembarcaram de um veículo na Rua Adelino Ferreira Jardim, no bairro Rubem Berta, e atiraram contra um grupo de pessoas em frente aos comércios. Três homens morreram no local e uma mulher chegou a permanecer hospitalizada, mas também não resistiu.
Além dos quatro mortos, outras três pessoas ficaram feridas, entre elas, uma adolescente de 14 anos. A menina foi atendida e recebeu alta do Hospital Cristo Redentor. Um homem de 28 anos também precisou passar por um procedimento cirúrgico na mesma unidade.

Nesta quarta-feira (19), o Departamento de Homicídios da Polícia Civil realiza operação contra o grupo investigado como responsável por esse ataque violento. Até o momento, sete pessoas foram presas durante a ação.
Durante a operação Ad Extremum, são cumpridos pela Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar, 12 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Alvorada, Viamão e em São José (SC).
— As equipes permanecem em diligência tentando localizar esses outros indivíduos que têm mandado de prisão preventiva, mas a gente já tem informações de inteligência que dois desses indivíduos se encontram atualmente homiziados (foragidos) lá no (município do) Rio de Janeiro — afirma o delegado Daniel Queiroz, da 5ª Delegacia de Homicídios.
Disputa entre facções
A chacina, segundo a polícia, aconteceu num contexto de disputas entre duas facções de Porto Alegre. A polícia já havia prendido ao longo da investigação suspeitos desses crimes, mas deu seguimento à investigação para identificar todos os envolvidos.
— Duas facções de Porto Alegre começaram a disputar intensamente num conflito por uma região da Zona Norte, no limite com Alvorada. Houve diversos homicídios praticados nesse contexto. Esse homicídio específico foi a resposta pela morte de indivíduos da facção rival. Esse ato foi bárbaro, violento, com muitas vítimas. Prendemos os suspeitos desses crimes e conseguimos estancar esse conflito — diz Queiroz.
A chacina aconteceu nas proximidades de um ponto de tráfico, no bairro Rubem Berta. As vítimas que morreram no local foram Nicolas Kauam Fagundes Moraes, Cláudio Ribeiro da Silva e Jonas da Silva Gonzaga. Deise Laura Fagundes, 41 anos, chegou a permanecer hospitalizada, mas morreu posteriormente.
— Eles escolheram essa localidade, que é de fácil acesso, uma das avenidas principais na Zona Norte, e de conhecimento notório que a facção rival pratica o tráfico de drogas. Alguns dos que vieram a óbito realmente integravam a facção. Entretanto, outros que estavam realizando compras nesse bar, não tinham envolvimento com a facção criminosa — diz o delegado.
Protocolo contra homicídios
Segundo o delegado Daniel Queiroz, a operação faz parte de um protocolo de combate aos homicídios na Capital. A medida reúne uma série de ações aplicadas de forma integrada, a partir de homicídios ligados à atuação de organizações criminosas.
- Saturação da área: reforço ostensivo do policiamento nos locais dos homicídios e em regiões de atuação dos grupos envolvidos
- Responsabilização dos envolvidos: investigação para identificar executores, mandantes e lideranças ligados aos crimes
- Operações especiais: ações direcionadas contra integrantes e estruturas das organizações criminosas
- Combate à lavagem de dinheiro: investigações para atingir o patrimônio e as fontes de financiamento dos grupos
- Revistas em presídios: buscas para apreender celulares, armas e outros materiais utilizados por lideranças encarceradas
- Transferências estaduais: remoção de lideranças para outros presídios do Rio Grande do Sul
- Transferências federais: envio de presos para unidades federais de segurança máxima, quando houver necessidade e autorização