Caso Samylle
Tia de menina de quatro anos morta após agressões é presa
Segundo a polícia, Beatriz Eduarda Costa Ramiro também foi responsável pela morte da sobrinha ao se omitir diante das atitudes do tio


A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quinta-feira (27), na zona sul de Porto Alegre, a tia de Samylle Valentina Borba Ramiro. A menina de quatro anos morreu após ser agredida pelo tio, que está preso desde o dia 20 de agosto.
Beatriz Eduarda Costa Ramiro, 22 anos, foi presa preventivamente. A investigação aponta que ela também foi responsável pela morte da sobrinha ao se omitir diante das atitudes do tio.
Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pelo caso, após o fato da agressão, no dia 16, ela esperou três horas até levar a menina para atendimento. Quando chegaram na UPA Bom Jesus, Samylle já estava morta.
A omissão dela foi relevante para o resultado morte, que embora ela não tenha praticado as lesões, pelo fato de ela ser a garantidora, a responsável por essa criança, e também que ela não tomou nenhuma providência em tempo hábil, de levar essa menina para socorro e evitar esse resultado, ela responde pelo crime da mesma forma."
Conforme a polícia, Beatriz deverá responder por homicídio qualificado.
O companheiro dela, Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, 22 anos, confessou as agressões. Em depoimento, disse que deu apenas palmadas na bunda após a menina ter feito cocô nas calças.
Os laudos preliminares do Instituto-Geral de Perícias apontaram que Samylle morreu por politraumatismo. Não é possível saber, no entanto, se todas as lesões foram decorrentes de agressões ou se por outros motivos. A violência sexual foi descartada.
A polícia deve concluir o inquérito nos próximos dias.
Entenda o caso
No dia 19 de agosto, Zero Hora revelou que a causa da morte da criança foi politraumatismo e que uma testemunha disse à polícia que o tio teria agredido a menina por ela ter deixado escapar cocô. Essa testemunha é a tia, que contou ter chegado em casa e encontrado Samylle ferida.
A perícia também indicou que a criança não sofreu violência sexual. Os exames reforçaram as suspeitas da Polícia Civil de que Samylle havia sido agredida.
A guarda judicial de Samylle pertencia à mãe, mas a menina estava morando com os tios. A tia possuía um termo de responsabilidade emitido pelo Conselho Tutelar em julho. A mãe de Samylle afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que não via a filha há dois meses.
Na UPA, na madrugada de segunda-feira (17), o casal relatou ter buscado atendimento porque a menina teria tido uma convulsão e que os hematomas seriam decorrentes de uma queda durante uma brincadeira.
Contraponto
A reportagem busca contato com a defesa de Beatriz Eduarda Costa Ramiro. O espaço está aberto para manifestação.