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Porto Alegre14/04/2015 | 07h04

Projeto de biblioteca no Morro Santana busca apoio para preparar o espaço

A ideia do autônomo Sidney Júnior Costa Bispo é estimular a leitura na Vila das Laranjeiras

Projeto de biblioteca no Morro Santana busca apoio para preparar o espaço Fernando Gomes/Agencia RBS
A garagem de casa é o cenário para a realização do sonho de Sidney Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Depois de descobrir o prazer da leitura, o autônomo Sidney Júnior Costa Bispo,
26 anos, encontrou uma maneira de disseminar esse encanto pelas letras para crianças e adolescentes da comunidade onde mora, na Vila das Laranjeiras, Morro Santana, na Zona Norte da Capital.

Às vésperas de abrir as portas da Biblioteca Comunitária Visão Periférica, que funcionará na garagem de sua casa, ele busca apoio para preparar o espaço e garantir o acervo.

— Com a leitura, a gente se aprofunda em detalhes que não via antes. Vemos como a vida é simples, como o conhecimento é importante — explica.

Amor recente pela literatura

Até três anos atrás, Sidney, que estudou até a sétima série, não foi um leitor assíduo. Porém, desde que os intervalos do trabalho como vendedor de uma loja no shopping passaram a ser aproveitados dentro de uma livraria, o prazer da leitura passou a fazer parte do cotidiano do rapaz. A curiosidade, as pesquisas na internet e a vontade de saber mais também contribuíram para o sonho de criar uma biblioteca.

Sidney conta que foi no Cras da região, onde foi orientado a procurar a Biblioteca Comunitária Nova Chocolatão e, a partir de então, conheceu a Ong Cirandar, que promove a democratização da cultura. Atualmente, Sidney participa de um curso de mediador de leitura.

— No princípio, a molecada, talvez, não venha (para a biblioteca) pela leitura, porque nem todas as famílias estimulam, mas virão pelo teatro, pela música — observa.

A partir de maio, a Biblioteca Comunitária Visão Periférica passará a integrar o Redes de Leitura — Bibliotecas Comunitárias de Porto Alegre, um conjunto de comunidades que compartilha saberes e implementa práticas de leitura na Capital.
Mutirão ocorrerá antes de abrir as portas

— Como o carro não veio ainda, vamos colocar a biblioteca na garagem — brinca a doméstica Vera Lúcia de Mates Costa, 41 anos, mãe de Sidney.

Foi dela a ideia de promover um mutirão entre familiares, amigos e moradores da comunidade, que deve ocorrer nas próximas semanas, para dar uma nova cara à peça que abrigará a biblioteca.

Parte do material já veio por meio de doação, assim como os primeiros livros.

— Por enquanto, é na cara e na coragem — afirma Vera.

Cinco dicas para montar uma biblioteca

A coordenadora de Desenvolvimento Institucional da Ong Cirandar, Márcia Cavalcanti, dá dicas para comunidades que gostariam de abrir uma biblioteca. Confira:

1) O primeiro passo é uma mobilização comunitária, na qual um grupo de pessoas ou uma instituição se engage à causa. Dificilmente uma mobilização individual conseguirá tocar a ideia.

2) Na sequência, é preciso pensar no espaço no qual a biblioteca comunitária vai funcionar. O local não pode ser úmido. Deve ser arejado, montado de forma aconchegante, podendo contar com material reciclado e, principalmente, pensado com criatividade. A biblioteca deve ser um espaço atraente. Pode ser em uma garagem, escola ou em uma instituição.

3) O terceiro passo é pensar na montagem do acervo de acordo com a identidade da comunidade. Por exemplo, se a intenção é ser voltada mais ao público infantil, é legal pensar em bons títulos para crianças. Deve estar dirigido ao interesse cultural da comunidade. A coleta de livros pode ocorrer por doações de pessoas, de livrarias ou de editoras.

4) Junto com os parceiros, é importante pensar em práticas de ações culturais dentro da biblioteca, como rodas de história, sessões de cinema ou aulas de artesanato, enfim, eventos dentro deste espaço.

5) Para manter a biblioteca aberta, deve-se ter um educador social ou um voluntário identificado com o local. Iniciativas como esta, a médio e longo prazo, podem obter apoio do Plano Municipal de Livro e Leitura de Porto Alegre, que direciona recursos a várias ações de leitura, incluindo bibliotecas comunitárias.

Para divulgar e juntar recursos

Há cerca de um mês, dentro de uma caixa de sapatos, Sidney e os outros voluntários carregam livros de poesia, chaveiros e marcadores de página.

Os marcadores são feitos com a ajuda do amigo João Felipe Rodrigues de Freitas, 22 anos, que, desde os tempos da Coleção Vagalume — série de livros infantojuvenis bastante popular —, é um leitor apaixonado. A ação é promovida em avenidas como a Assis Brasil e em parques.

— É estranho, porque as pessoas acham que a gente vai pedir dinheiro direto. Mas a gente desafia as pessoas a lerem — revela Sidney, contando que os chaveiros são vendidos a R$ 7.

Ajude o projeto

- São aceitas doações de livros de literatura e infantis para o acervo da biblioteca, além de material de construção que será usado no mutirão.

- Voluntários que quiserem atuar em atividades de mediação de leitura podem entrar em contato pelo telefone 8233-8907, pelo perfil facebook.com/vperiferica, ou no endereço Rua 5, casa 5, Vila das Laranjeiras, no Morro Santana.

 

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