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Saúde07/07/2015 | 07h04Atualizada em 07/07/2015 | 16h04

Novo hospital de Guaíba, que está pronto há seis meses, permanece fechado

Questões burocráticas impedem a prefeitura de Guaíba de abrir o hospital com 57 leitos e atendimento 100% Sus

Novo hospital de Guaíba, que está pronto há seis meses, permanece fechado Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
O cheiro de móveis novos que permanece pelos corredores do que deveria ser o Hospital Municipal de Guaíba, a 30km de Porto Alegre, começa a dar lugar à poeira. Há dois anos, a ala da maternidade definha à espera da conclusão de questões burocráticas envolvendo município, Estado e Associação Portuguesa de Beneficência — que deverá gerir a instituição. Somam-se a ela, o bloco cirúrgico e a ala de internação, concluídos no início deste ano. Juntos, os três custaram R$ 5,1 milhões ao município e ao Estado.


Percorra os corredores do novo hospital de Guaíba, que está pronto e ainda não abriu

Entraves, como novas exigências feitas pela Vigilância Sanitária do Estado e a indefinição sobre quem assumirá os cerca de R$ 2 milhões necessários para o custeio mensal de 57 leitos — incluindo os dez da ala obstétrica — e cerca de 200 funcionários, empatam a abertura do prédio. Com atendimento 100% Sus, o hospital está numa região que compreende 400 mil habitantes de 19 municípios das regiões Carbonífera e da Costa Doce. 

— A cada passo que a gente dá, surge uma nova exigência que não existia na época da aprovação do projeto. Isso acaba fazendo com que todo o processo reinicie e atrase, ainda mais, o início do hospital — afirma a diretora administrativa da Saúde de Guaíba, Fabiani Malanga.

 
Fabiani mostra as macas e poltronas ainda embaladas no que deveria ser a sala de parto
Foto: Mateus Bruxel


Exigências

Ao lado do secretário municipal de Saúde, Rogério Souza, a reportagem do Diário Gaúcho percorreu os corredores do prédio, nesta segunda-feira. Localizada ao lado do Pronto-Atendimento, a área de 1.965 metros quadrados permanece intacta. Quem entra pela recepção vazia, depara-se com as quatro salas do bloco cirúrgico. Uma delas, inclusive, vem sendo usada para curativos dos pacientes que chegam ao PA. Na sala de recuperação, leitos vazios. Atravessando outro corredor escuro, chega-se à maternidade, onde macas e poltronas amontoam-se embaladas para não perderem a validade de uso. Na última parte concluída, a internação com 31 leitos, os quartos têm banheiros individuais e já estão montados, inclusive, com cortinas e splits instalados. Apenas com mobiliários (poltronas, macas e gaveteiros) e equipamentos (foco de luz, foco cirúrgico e mesas cirúrgicas) a prefeitura já gastou R$ 1,1 milhão.

— Nos sentimos de mãos atadas. Concluímos a maternidade, e nos pediram 11 leitos de retaguarda. Fizemos eles. Então, a Saúde do Estado exigiu mais 31 leitos no ano passado. Fizemos. Agora, veio mais uma lista de exigências. Nossa meta é concluir este novo pedido até novembro deste ano para abrir este hospital de uma vez — afirma o secretário.


 
Corredores vazios no que deveria ser o hospital
Foto: Mateus Bruxel


Nova reunião

Entre as 58 exigências feitas pela Vigilância Sanitária, em abril deste ano, estão a colocação de torneiras automáticas nos sanitários da recepção e a adequação das alturas das cortinas de box dos chuveiros nos banheiros dos pacientes. Nesta segunda-feira, a reportagem tentou ouvir a Vigilância sobre as novas exigências, mas a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Saúde informou que não seria possível. Na tarde de ontem, a Coordenadoria Estadual da Saúde convocou uma reunião para hoje, às 9h30min, envolvendo a Associação Portuguesa de Beneficência e a prefeitura. O tema será a abertura do hospital.

— Estou fazendo sozinho um hospital com 50 leitos e não consigo ajuda para abri-lo —desabafa o prefeito Henrique Tavares.

 
Vanessa queria ter o primeiro filho em Guaíba, onde ela nasceu
Foto: Mateus Bruxel


Sem maternidade há seis anos

Desde 2009, quando a Justiça determinou o fechamento da única maternidade de Guaíba, no Hospital Nossa Senhora do Livramento, a cidade não tem o serviço. Atravessar a ponte sobre o Guaíba tornou-se um ato normal às mães que darão à luz via Sus. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, foram realizados 2.936 partos em moradoras da 9ª região de Saúde do Estado, que compreende os municípios que seriam atendidos também por Guaíba. Destes 1.650 partos foram realizados em Porto Alegre. Outros 1.275 foram feitos nos hospitais de Camaquã e de São Jerônimo, pertencente à 9ª região. E ainda houve 11, realizados em outras partes do Estado.

Grávida de quatro meses, a recepcionista Vanessa Marques, 20 anos, da Vila Iolanda, sempre sonhou em dar à luz em Guaíba, cidade onde ela e o marido, o motorista Ricardo Bastos, 27 anos, nasceram. Pelo jeito, não será desta vez. 

— É muito ruim fazer todo o acompanhamento em Guaíba e, na hora mais importante, não saber onde terei meu filho. Estamos nos organizando para ir direto ao Hospital Santa Casa. Mas corro o risco de ganhar na ponte, se ela estiver aberta. Isso me deixa nervosa — desabafa Vanessa.

 
Ala de recuperação do bloco cirúrgico
Foto: Mateus Bruxel


Os números
* Os recursos até agora empregados vieram do Conselho Regional de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul — Coredes (R$ 1,3 milhão), da prefeitura (R$ 1,8 milhão) e da compensação social da Celulose Riograndense (R$ 2 milhões).
* Há um déficit de 469 leitos na região.
* O hospital está numa região que compreende 400 mil habitantes de 19 municípios das regiões Carbonífera e da Costa Doce — Arambaré, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Butiá, Camaquã, Cerro Grande do Sul, Charqueadas, Chuvisca, Dom Feliciano, Eldorado do Sul, General Câmara, Guaíba, Mariana Pimentel, Minas do Leão, São Jerônimo, Sentinela do Sul, Sertão Santana e Tapes.
* Hoje, Guaíba tem 600 pacientes cadastrados no sistema de regulação à espera de cirurgia geral.
Fontes: Ministério da Saúde, Secretaria Municipal da Saúde e Associação Portuguesa de Beneficência

A construção do Hospital Municipal
Agosto/2009
 — Com o fechamento da maternidade do Hospital Nossa Senhora do Livramento, por determinação da Justiça, a prefeitura assume o compromisso de construir um hospital com maternidade em Guaíba.
Fevereiro/2012 — Início das obras da maternidade no prédio onde hoje funciona o Pronto-Atendimento
Junho/2013 — Conclusão da maternidade (obra civil e compra de mobiliário)
Dezembro/2013 — Aprovado o projeto para cessão de uso da maternidade pela Associação Portuguesa de Beneficência
Janeiro/2014 — Município faz um termo de cessão de uso da maternidade à Associação Portuguesa de Beneficência.
Fevereiro/2014 — Projeto de expansão do hospital é enviado ao BNDES para captação de recursos.
Agosto/2014 — Iniciam as obras de expansão.
Dezembro/2014 — Associação Portuguesa de Beneficência assume a gestão do Pronto-Atendimento localizado numa das áreas do hospital.
Janeiro/2015 — Concluídas as obras de expansão.
Abril/2015 — Vigilância Sanitária faz vistoria e novas exigências à prefeitura.

O que o hospital oferecerá
* Poderá fazer até 200 partos mensais.
* Poderá ter 200 internação clínicas e cirúrgicas.
* Fará cirurgias de pequeno porte, como retirada de apêndice e de pedra na vesícula.
* Fará internações clínicas, como de pacientes com pneumonia.

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