Ação social
Aulas de boxe revelam talentos em Esteio
Iniciativa ligada à Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer ocorre de forma gratuita. Os jovens participam de competições pelo Estado e têm conquistado medalhas


Como uma forma de trazer cada vez mais jovens e crianças para o esporte, uma iniciativa ligada à Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Esteio oferece aulas gratuitas de boxe. O projeto começou há pouco menos de um ano, de forma despretensiosa, apenas para trabalhar a cidadania e o conhecimento do esporte. Hoje, os alunos buscam aperfeiçoamento e participam de competições pelo Estado. As aulas são divididas conforme as faixas etárias.
O grupo já começou a ver resultados positivos de seus esforços: medalhas têm sido conquistadas, o que incentiva ainda mais quem participa.
— Com o tempo, observamos alguns talentos e a gente começou a trabalhar a parte de competição com eles, com outro formato de treinamento, com outros exercícios — explica o professor Abilio Mobus, que tem 20 anos de experiência e já treinou campeões brasileiros.
Em dezembro, a equipe participou da final da Superliga dos Campeões do Boxe, em Igrejinha, promovida pela Associação Multiesportiva da Encosta da Serra. Sete alunos lutaram na competição e conquistaram medalhas. Foram cinco de ouro e duas de prata. Entre eles, Jeferson da Silva, 16 anos, que conheceu o projeto por indicação de um amigo:
— Me interessei e virou a minha arte. Comecei a treinar e querer competir —conta o jovem.
Em 2025, Jeferson conquistou o vice-campeonato gaúcho de boxe na sua categoria. No total, foram oito combates, com cinco vitórias.
Desenvolvimento
As turmas têm meninos e meninas e, com a participação feminina crescendo, o professor Abilio percebe o interesse delas em competir:
— Quero levar as meninas também, porque elas já me perguntam: “eu posso competir?”. Então, vamos trabalhar com elas para isso.
A participação nas atividades traz diversos benefícios para os jovens, como auxiliar na saúde física e mental. Abilio ainda destaca a presença de imigrantes venezuelanos em suas turmas e que as aulas auxiliam na socialização desses jovens.
Um deles é Antony Lopes, de 15 anos, que participa há cinco meses. Ele descobriu as aulas através de um amigo da escola e já percebe os benefícios:
— A saúde, o rendimento, melhoraram — diz, acrescentando que sonha em se tornar lutador profissional.
As aulas ocorrem no turno inverso da escola. Para isso, Abilio tem diferentes turmas: uma pela manhã, uma à tarde e uma à noite, para incluir os jovens que precisam trabalhar durante o dia.
— O projeto é bom para tirar essa gurizada da rua. Acho que é muito importante e realmente está dando resultado, dentro e fora dos ringues — conta.
De acordo com Abilio, o principal desafio é manter os adolescentes frequentando as aulas:
— Eles não gostam de rotina e nada que seja repetitivo. Então, eu mudo os treinos a cada semana, levo eles a outras academias. O principal é cativar, trazer o aluno para a oficina.
Os encontros
As turmas são divididas conforme a faixa etária e os dias da semana:
/// Manhã: crianças entre 8 e 10 anos; segundas e sextas-feiras, às 10h.
/// Tarde: adolescentes até 17 anos; quintas e sextas-feiras, às 15h30min.
/// Noite: turma mista, com adolescentes e jovens acima de 18 anos; segundas, quartas e quintas-feiras, a partir das 19h.
/// Em dezembro, foi aberta uma quarta turma para adolescentes até 17 anos, no bairro Novo Esteio, no turno da tarde; para atender quem mora mais afastado.
/// Para participar, é necessário estar matriculado na escola e residir em Esteio. Após o recesso, as atividades retornam em 5 de janeiro.
/// As aulas ocorrem no Ginásio Municipal, localizado na Rua 24 de Agosto, 3.079 – Vila Olímpica.
Expectativas para o ano que se inicia
A oficina de boxe recebeu verbas para realizar uma reforma no espaço e climatizar o local, principalmente pensando nas aulas que acontecem no verão, já que mesmo durante as férias escolares as atividades do projeto seguem. Além disso, o grupo deve ganhar mais materiais para serem utilizados durante as aulas.
— Para 2026, (desejo ver) muito mais competidores jovens, adolescentes buscando seus espaços no esporte. Conquistando medalhas, tentando ir para o Campeonato Brasileiro, buscar uma bolsa-atleta — afirma o professor, citando o benefício do governo federal para atletas de alto rendimento e ainda complementa:
— O bolsa-atleta é um salário mínimo. Então, imagina um jovem de 15 ou 16 anos, fica até terceiro lugar no Brasileiro e garante uma bolsa. O salário vai ajudar eles.
*A reportagem foi supervisionada pelo jornalista Émerson Santos