Elenco de "Império" celebra reprise da trama e relembra histórias dos bastidores - Entretenimento

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Pode vir, Comendador!12/04/2021 | 09h03Atualizada em 12/04/2021 | 09h03

Elenco de "Império" celebra reprise da trama e relembra histórias dos bastidores

Novela de Aguinaldo Silva retorna ao horário nobre nesta segunda-feira

Elenco de "Império" celebra reprise da trama e relembra histórias dos bastidores TV Globo / Divulgação/Divulgação
Alexandre Nero interpreta o protagonista de "Império" Foto: TV Globo / Divulgação / Divulgação

O agravamento da pandemia de coronavírus provocou uma nova parada nos Estúdios Globo. A próxima trama inédita das 21h, Um Lugar ao Sol, precisou ter seus trabalhos interrompidos e, portanto, teve a estreia adiada novamente. 

A trama de Lícia Manzo fica para o segundo semestre de 2021. Com o fim de Amor de Mãe, a lacuna no horário nobre precisava ser preenchida por uma história de peso, querida pelo público e sucesso de audiência na primeira exibição.

Por isso, um personagem poderoso, controverso e até hoje lembrado está de volta à telinha a partir de hoje. Afinal, quem melhor do que o Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), para nos entreter em tempos tão difíceis? A edição especial de Império (RBS TV, 21h25min), de 2014, foi celebrada pelo elenco em entrevista coletiva (por chamada de vídeo) na semana passada. 

Para Alexandre Nero, aliás, a novela terá um gostinho de novidade:

— Sou um desmemoriado real na minha vida. Eu realmente não lembro do nome do personagem, da história. A gente está reestreando a novela, e vou pegar como expectador.

Realismo fantástico

A trama de Aguinaldo Silva tinha ares contemporâneos, mas não deixou de lado o realismo fantástico que permeia boa parte das obras do autor. Um exemplo disso foi o rejuvenescimento de Cora, que, na segunda fase, era interpretada por Drica Moraes. O afastamento da atriz, em um momento crucial de sua personagem, criou um problemão para a equipe. Mas não para a mente fértil de Aguinaldo, que logo sugeriu a volta de Marjorie Estiano ao elenco, já que foi ela quem viveu a vilã na primeira fase.

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Cora rejuvenesceu, e o povo aceitou numa boaFoto: Divulgação / TV Globo/Divulgação

O que parecia absurdo foi aceito pelo público, que embarcou na história.

— Com o tempo, as pessoas já estavam envolvidas muito mais com a trama e compreendendo que foi uma necessidade técnica. Aos poucos, fui me sentindo mais à vontade e me diverti muito. Foi um aprendizado imenso. Um final feliz, ficamos todos muito satisfeitos — lembra Marjorie.

Por falar em rejuvenescimento, o processo contrário ocorreu com Alexandre. Para interpretar o Comendador, personagem na faixa dos 50 anos, o ator, que estava com 44 anos na época, passava por um processo diário de maquiagem para parecer mais velho. Afinal, o público precisaria ser convencido de que aquele homem, na ficção, era pai do personagem de Caio Blat (José Pedro), ator apenas 10 anos mais novo do que o intérprete de José Alfredo.

— Vou adorar rever essa novela, porque vou estar 10 quilos mais magro — brinca Alexandre.

O envelhecimento artificial do ator era mantido sob sigilo na época. O ator lembra que a caracterização surpreendeu o público.

— Lembro das pessoas dizerem na época: "O Nero deu uma acabada, né?" — conta o artista.

Herói às avessas

Um dos trunfos de Império foi apresentar um protagonista que não era um exemplo de caráter e honestidade. José Alfredo subiu na vida por meios escusos, era um péssimo pai e um marido pior ainda. Mas, ao longo da história, foi mostrando um lado doce, capaz de viver uma linda história de amor com a amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). Mas o relacionamento com a ruiva não foi a única tábua de salvação do Comendador. Ao conhecer Cristina (Leandra Leal), filha que até então nem sabia que existia, o homem durão deu lugar a um pai mais amoroso, disposto a consertar seus erros, principalmente com os outros filhos.

Alexandre reconhece os defeitos de seu personagem, mas enxerga uma trajetória de humanidade:

— Não é o vilão, nem o bonzinho. Acho que foi esse encantamento que as pessoas tiveram com ele.

O ator conta que, até hoje, é chamado de Comendador pelo público. Ele revela que, no início, se preocupava por ser conhecido apenas por esse papel, mas o temor já passou:

— Depois que vi o (Antonio) Fagundes sendo chamado de Rei do Gado (trama de 1996), quem sou eu para não ser chamado de Comendador?

"Cu-ru-zes"

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Bordões de Téo caíram na boca do povoFoto: Renato Rocha Miranda / TV Globo/Divulgação

Outro personagem que vale a pena recordar é Téo Pereira, o fofoqueiro que o público amou odiar. Paulo Betti conta que foi um desafio assumir o papel, que havia sido escrito para José Wilker (1944 – 2014), que morreu poucos meses antes da estreia de Império.

A repercussão do papel ficou clara para Paulo no Carnaval de 2015, quando parte do elenco desfilou na Sapucaí, no Rio de Janeiro.

— Os garis corriam atrás de mim e gritavam: "Cu-ru-zes!" (bordão do personagem). Eu achava que estava abafando, mas eles estavam me zoando.  — diverte-se ele.

O ator lembra que sentiu na pele, literalmente, os sacrifícios pelo personagem.

— Inventei um tratamento de acupuntura facial, era como se fossem duas mil vacinas no rosto — brinca.

Rainha do horário nobre

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Para Lilia, reprises fazem a sociedade perceber mudançasFoto: João Miguel Júnior / TV Globo/Divulgação

Lilia Cabral tem sido figura frequente no horário nobre desde o início de 2020, o que até lhe rendeu, nas redes sociais, o título de rainha do horário nobre. Desde março do ano passado, é a terceira reprise na TV aberta que tem a atriz no elenco: Fina Estampa (2011), A Força do Querer (2017) e, agora, Império. Isso sem contar Chocolate com Pimenta (2003), recentemente exibida pelo canal Viva. 

A atriz ressalta a importância de avaliar as mudanças da sociedade por meio das reprises: 

— Tenho me acompanhado nas reprises. De Fina Estampa para cá, quanta coisa mudou ao longo desses anos… E como faz bem a gente perceber que esse caminho é para melhor! No caso de Império, as pessoas lembram mais da história, mas é impactante ver como muita coisa também mudou ao longo dos últimos seis anos, e, às vezes, nem nos damos conta.

 
 
 
 
 
 
 
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