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"Temos uma expectativa de abertura de mais de 1,8 mil leitos", afirma secretária após RS decretar emergência em saúde

Estado registrou aumento de 533% nas internações por Influenza em um mês e enfrenta superlotação nos hospitais

03/05/2026 - 09h16min

Atualizada em: 03/05/2026 - 09h17min


André Malinoski
André Malinoski
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Kathlyn Moreira/Agência RBS
Hospital São Lucas da PUCRS enfrenta superlotação na emergência adulta.

Após o governo do Rio Grande do Sul decretar estado de emergência em saúde pública em decorrência do aumento nas internações hospitalares causadas por doenças respiratórias, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) age para reverter o preocupante cenário. No período de um mês, o Estado registrou alta de 533% nas internações por Influenza.

A secretária estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, afirma que a publicação do decreto vem para atender a uma exigência federal para habilitação de leitos de UTI e suporte ventilatório.

— No Rio Grande do Sul, temos uma expectativa de abertura de mais de 1,8 mil leitos, entre de UTI e de suporte ventilatório. Isso envolve todos os hospitais do Estado — diz.

Neste sábado (2), em Porto Alegre, os quatro hospitais de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) permanecem operando com superlotação e restrição de atendimento, aceitando apenas pacientes com risco de vida. Na emergência adulta do Hospital São Lucas da PUCRS, por exemplo, a situação é mais grave. Às 19h, a superlotação era de 430%, tendo 33 pacientes além de sua capacidade. O Hospital de Clínicas aparece logo atrás, com 241% de superlotação, com 62 pessoas a mais do seu limite. 

Nas instituições especializadas, casos do Hospital Cristo Redentor, do Pronto Socorro e do Instituto de Cardiologia, o panorama é semelhante. Todos operam acima do limite na emergência adulta.

Novos leitos

Em relação às habilitações realizadas por meio de recursos estaduais, a secretária compartilha os números de leitos de UTI e de suporte ventilatório — para adultos e pediátrico:

  • 604 leitos
  • 417 leitos serão de suporte ventilatório
  • 187 leitos serão para UTI

— Estamos ampliando em 70 leitos em relação ao que nós abrimos em 2025 — compara.

Porém, não há uma data estabelecida para esses 604 leitos entrarem em funcionamento. A expectativa da SES é que sejam abertos nas próximas semanas.

Sobre as habilitações vindas de recurso federal — solicitação que deve ser contemplada a partir da publicação do decreto —, a expectativa do governo estadual é a seguinte:

  • 1.277 leitos
  • 833 leitos de suporte ventilatório
  • 444 leitos de UTI

— Aqui, então, temos um aumento muito expressivo. Foram 175 leitos a mais de UTI e 505 a mais de suporte ventilatório. Os leitos de habilitação federal ainda dependem de disponibilidade orçamentária e financeira. Aguardamos a publicação das portarias — esclarece Lisiane Fagundes.

Telemedicina

A secretária cita investimentos em telemedicina para UTI pediátrica. E fala que houve ampliação, em 2025 e 2026, também para atendimentos de equipes de UTI pediátrica e de UTI neonatal. De 22 a 28 de abril, os médicos passaram por formação e capacitação. 

Trata-se de uma equipe médica que fica no departamento de regulação da SES e orienta a distância outros profissionais em hospitais de menor porte, em unidades de pronto atendimento e até médicos que estão na UTI. A secretária Lisiane Fagundes justifica que esse suporte evita transferências de pacientes e permite o manejo da pessoa da melhor forma. 

— A partir de segunda-feira (4), esse recurso entra em operação — assegura. 

Para cada leito de UTI, o governo federal paga uma diária de R$ 2 mil. Por sua vez, o governo estadual paga para cada leito-dia R$ 2,3 mil. 

— Como a habilitação federal fica com valor inferior ao que nós aportamos, o Rio Grande do Sul vai complementar nos hospitais federais essa diferença de R$ 300 por leito-dia.

Vacinas

Em relação às vacinas, Lisiane Fagundes reconhece a dificuldade da entrega das doses por parte do Ministério da Saúde, mas acredita que a situação estará regularizada na quinta-feira (7), quando mais 400 mil doses serão entregues pelo governo federal ao Estado. A campanha de vacinação segue até 30 de maio. 

Para quem estiver com Influenza ou alguma outra síndrome respiratória, a secretária orienta para qual local deve se dirigir, já que os hospitais estão superlotados:

— Se a pessoa está com sintomas de gripe, febre e coriza, a unidade de saúde mais perto da casa dela é o local adequado. Se tiver com dificuldades respiratórias e febre alta que não cede, ela precisa buscar atendimento em um local mais qualificado.  

Recomendações da SES para se proteger dos vírus respiratórios:

  • Lavar as mãos
  • Cobrir a boca ao espirrar ou tossir
  • Se tiver sintomas, usar máscara facial
  • Evitar aglomerações em ambientes fechados
  • Vacinar-se

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