Recuperado de um câncer, Papai Noel do Litoral vai viver primeiro Natal sem barba e cabelos naturais - Notícias

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Superação22/12/2015 | 07h03

Recuperado de um câncer, Papai Noel do Litoral vai viver primeiro Natal sem barba e cabelos naturais

Seu Jairo, 64 anos, faz do Natal uma filosofia de vida e mostra porque este terá um sentido especial

Recuperado de um câncer, Papai Noel do Litoral vai viver primeiro Natal sem barba e cabelos naturais Tadeu Vilani/Agencia RBS
Jairo, 64 anos, vive em Tramandaí há 18 anos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

O 17º Natal de Jairo Bueno da Silva, 64 anos, como Papai Noel, talvez seja o mais especial que ele já viveu. Se foi por acaso que começou a representar o principal personagem da data, não é à toa que permanece há tanto tempo na função. O menino que se assustou na primeira vez que viu o Bom Velhinho e, ao longo da adolescência, percebeu como o personagem unia sua família na data mais especial do ano, fez do Natal uma filosofia de vida. Desde que foi viver em Tramandaí, no Litoral Norte, encarnou o Papai Noel Jairo com barba, cabelo, bigode e barriga saliente.

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Seja visitando casas, distribuindo balas e abraços no shopping, em creches e entidades assistenciais, o Papai Noel Jairo ouve com paciência, olha no olho e recebe gestos de carinho até dos que duvidam da fantasia que está na imaginação dos pequenos. 



Neste ano, o visual tipicamente natalino preservado cuidadosamente de dezembro a dezembro perdeu algumas de suas características. Devido ao tratamento para curar um mieloma múltiplo – câncer na medula óssea – perdeu a barba e o bigode que tanto o orgulhavam. Afinal, ele sempre foi um Papai Noel legítimo, sem acessórios postiços.

A doença foi diagnosticada em outubro de 2014, após ele ser atropelado por um carro enquanto andava de bicicleta rumo ao trabalho, no FGTAS/Sine de Tramandaí. A primeira fase da quimioterapia poupou o visual no Natal de 2014, mas a segunda, feita às vésperas do transplante, em setembro deste ano, deixou marcas mais fortes:

— Fui barbudo por 13 anos, agora que vou usar uma barba postiça. Às vezes, me olho no espelho e me pergunto: quem é esse cara? Mas sei que a minha principal missão está no coração. Ser Papai Noel é doação. Se todo dia fosse dia de Papai Noel, o mundo seria muito melhor_ diz o servidor público, que vive há 18 anos em Tramandaí.



Agenda cheia no Natal do agradecimento

Convencido de que este será o Natal do renascimento, Jairo vai encarar o desafio com o peso já recuperado – 85kg – mas com o cabelo ainda ralo e a barba 12cm menor do que sempre foi. No dia 15 de dezembro, ele completou dois meses de transplante – onde conseguiu ser o próprio doador. Do período de preparação para a cirurgia até recuperação em casa, precisou ficar 50 dias na cama e voltou a depender da família como uma criança. 

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A poucos dias do Natal, porém, exibe uma disposição que pouco lembra um paciente que se recupera de um câncer. 

O figurino do Natal está todo em casa, devidamente arrumado no seu camarim. Jairo tem três bengalas a postos – uma para cada momento – e a agenda que só não está mais cheia porque impôs limites a si mesmo. No dia 24, vai visitar 12 famílias, mas até lá, passará por paróquias, centro espírita, escolas e creches.

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Se não faltar disposição, no dia 25 vai passear na praia e atender a pedidos de visitas feitos por cartas. Neste ano, já recebeu mais de 50: 

— Esse vai ser o Natal de uma nova vida. Vai ser diferente, nunca pensei passar por isso e nem imaginei que teria todo esse pique. Será o Natal também do agradecimento. Passei por crianças na rua que me paravam para dizer que oraram por mim. Do pouquinho que dou, recebo muito. Não sei de onde tirei tanto otimismo, embora sempre tenha sido otimista — diz ele, que é pai de três filhos e vive com a companheira, a professora aposentada Beatriz, 64 anos.

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Selfie com o Bom Velhinho

No shopping, na beira da praia ou nas ruas do Centro de Tramandaí: o Papai Noel Jairo é unanimidade entre crianças, jovens e adultos. Adolescentes pedem para fazer selfie, crianças contam das cartinhas que já enviaram e os adultos querem apertar ao menos a sua mão.

O carinho demonstrado por crianças como Giovani Calcanhoto, quatro anos– filho de pai gaúcho e mãe cubana nascido na Alemanha – que, mesmo não entendendo a língua do Papai Noel Jairo, na beira da praia, fez questão de chegar perto e abraçar o velhinho sorridente, ajuda a demonstrar porque a mensagem que o personagem transmite ultrapassa o entendimento dos adultos.

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