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Seu problema é nosso09/11/2016 | 08h32Atualizada em 09/11/2016 | 10h58

Bairros de Gravataí sofrem com a falta de água constante

Corsan informou que melhorias estão sendo feitas, mas sem prazo para conclusão

Bairros de Gravataí sofrem com a falta de água constante Arquivo pessoal/Leitor/DG
Foto: Arquivo pessoal / Leitor/DG
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Foi-se o tempo em que as faltas d'água nos bairros Morada do Vale I, II e III, em Gravataí, se restringiam à época de verão. Em 2016, os moradores viveram dias de tensão sem ter água para atividades básicas em diferentes estações. A mais recente situação aconteceu entre os dias 27 de outubro e 2 de novembro, quando vários pontos ficaram sem abastecimento da Corsan.

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Durante os seis dias, em função da falta d'água, o autônomo Willian Lopes de Melo, 33 anos, que mora na Rua Doutor Vergara, Morada do Vale II, gastou cerca de R$ 700 entre água mineral, almoço e jantar para ele, a esposa e os três filhos. Willian esperava um desconto na cobrança da Corsan, porém, o valor veio integral.

— Não tinha como tomar banho, cozinhar, lavar a louça, a roupa, nada. E, depois, a Corsan manda a conta de água como se tivéssemos tido o serviço o mês inteiro. O problema acontece há pelo menos cinco anos, mas, antes, era mais no verão. Agora é sempre — reclama Willian.

As justificativas

No dia 27 de outubro, quando começou a ficar sem água, a dona de casa Sheila Chies Cardoso, 38 anos, que vive na Rua Aldrovando Leão, Morada do Vale I, entrou em contato com a Corsan para verificar o motivo e quando o serviço seria normalizado.

— Eles disseram que a água voltaria no dia seguinte, mas passaram um, dois, três dias e nada. Somente na madrugada no dia 2 que a água deu sinal de vida. A Corsan nunca cumpre os prazos — queixa-se ela.

Devido à demora, a caixa-d'água da casa de Sheila não deu conta de suprir a necessidade de tantos dias.

Foto: Arquivo pessoal / Leitor/DG

Para minimizar as consequências, a companhia enviou um caminhão pipa e distribuiu água em diversos pontos dos bairros. Sheila e os vizinhos encheram todas as garrafas e baldes disponíveis, mas o descontentamento da moradora não diminuiu.

— Eu moro na Morada do Vale há 30 anos e sempre passamos por problemas deste tipo. Há cinco, se agravou e agora está insustentável. Estamos na primavera, logo vai chegar o verão e, aí sim, tem água um dia e no outro, não. É horrível — desabafa.

"Rever processos"

Tanto Willian quanto o locutor comercial Lupin Junior, 47 anos, morador da Rua Lopes Trovão, na Morada do Vale II, definem o cenário como crônico. Juntas, as três Moradas do Vale têm em torno de 42 mil habitantes, conforme informação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Gravataí, com base em dados do IBGE. Segundo a Corsan, 26 mil economias (equivalente a uma casa/apartamento ou unidade comercial), aproximadamente, são afetadas pela dificuldade .

O abastecimento de Gravataí depende das casas de bomba de Canoas, de acordo com a Corsan. Rompimento de adutoras e manutenção nas máquinas são as justificativas mais recebidas pelos moradores.

— Entendo que é preciso fazer manutenção, mas o órgão precisa rever os processos, de modo que não atinja a comunidade dessa forma. Seis dias sem água é inadmissível — diz Lupin.

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Sem banho

Como se não bastasse, as constantes faltas de água na região já causaram mais prejuízos, além dos financeiros, para a comunidade. Tanto no Natal de 2014 para 2015, quanto de 2015 para 2016, Willian e a esposa passaram o feriado sem banho.

— Já passei por várias situações constrangedoras, um Natal sem poder tomar banho. Tive que ver meus filhos chorando porque não tinha água pra nada, nem pra beber. Uma vez, a Corsan me mandou uma conta de R$ 700. Tive que entrar na Justiça para reverter. Em nenhuma hipótese é possível minha família ter gasto tudo isso. Ainda mais que, passou dos 30 graus, pode apostar: vai faltar água — lamenta o autônomo. 

Reunião não deu resultados imediatos

Depois do último episódio, Lupin reuniu um grupo de vizinhos e agendou uma reunião com um representante da Corsan em Gravataí, a fim de buscar uma solução definitiva para o pesadelo que atinge os bairros há anos. O encontro aconteceu no dia 3. Após muita conversa, nenhuma saída foi determinada.

— Preparei um termo de responsabilidade em que a Corsan se comprometeria a dar desconto aos moradores referente aos dias em que ficamos sem água, mas eles se recusaram a assinar e disseram que não podiam confirmar a diminuição do valor, que iriam avaliar o pedido — conta Lupin, que vive na Morada do Vale I desde 1977.

Foto: Arquivo pessoal / Leitor/DG

Melhorias em andamento, mas sem prazo

A Corsan informou que não tem registros de falta d'água frequentes, contrariando as reclamações da população que apontam, no mínimo, cinco anos de problemas. Gravataí é abastecida pelas Estações de Tratamento de Água (ETAs) de Gravataí e de Cachoeirinha. Esse sistema integrado recebe água, também, de ETAs de Canoas no verão, quando a vazão de água do Rio Gravataí cai e, de acordo com a Corsan, "ocorre conflito de uso com os produtores agrícolas à montante da captação".

A companhia elencou alguns motivos que podem ter causado a recente falta d'água, sentida pelos moradores: parada de 12 horas para a realização de melhorias (troca de grupos motor-bomba) na ETA que leva água ao Centro de Reservação Vista Alegre, em Cachoeirinha, vazamentos na adutora de água bruta no trecho entre as ETAs Niterói e Cachoeirinha, reduzindo a vazão, e ainda a necessidade de redução da vazão do sistema de abastecimento de Gravataí devido a problemas na qualidade de água bruta do Rio Gravataí (causada pelo descarte indevido de lodo proveniente das lavouras de arroz da região).

Para reduzir os problemas nas Moradas do Vale, a Corsan propõe a ampliação da capacidade da Estação de Bombeamento de Água 4, em Cachoeirinha, com a troca de quatro grupos de motores bomba mais potentes do que os atuais, e a execução de adutora da ETA do Centro de Reservação do Vista Alegre. Essas ações estão em andamento, sem data prevista para conclusão. A Corsan tem a expectativa de que as melhorias atendam a população já no próximo verão. Além disso, está em elaboração um projeto de ampliação geral do sistema de abastecimento de água de Cachoeirinha e Gravataí.

A companhia não acena com a possibilidade de dar desconto aos moradores em função de falta d'água.

Como fazer uma reclamação 

Para fazer uma reclamação sobre falta d'água ou solicitar algum serviço para a Corsan, o cliente pode entrar em contato por meio do telefone 0800-646-6444. O atendimento é gratuito e está disponível todos os dias da semana.

Produção: Shállon Teobaldo


 
 
 

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