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Suspeita de estelionato08/12/2016 | 16h12Atualizada em 08/12/2016 | 18h29

Dono de agência desaparece e deixa alunos de escolas do RS sem viagem de formatura

Turmas do nono ano do ensino fundamental e do terceiro ano do médio fariam excursões a Santa Catarina. Cerca de R$ 155 mil repassados pelas famílias não foram usados em reservas de transporte e hotel

Dono de agência desaparece e deixa alunos de escolas do RS sem viagem de formatura Divulgação / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Na noite de 19 de novembro, alunos da escola Cândido de Barros, de Santo Antônio da Patrulha, foram até o local combinado para embarcarem no ônibus que os levaria rumo a Santa Catarina. O pacote comprado da agência de turismo Diver Tour, de Taquara, prometia recompensá-los pelos anos de estudo com um passeio de dois dias por Camboriú e pelo Beto Carrero World.

Passava das 23h30min, horário marcado para caírem na estrada, e o ônibus não havia aparecido, confirmando o que os jovens temiam: levaram um calote.

A mesma decepção atingiu alunos de pelo menos mais cinco escolas do Rio Grande do Sul que programavam viagens de formatura. Sumido desde o dia 11, Juliano Machado, dono da Diver Tour, fez com que cerca de R$ 155 mil pagos pelas famílias ao longo do ano virassem ponto de interrogação. 

Em torno de 250 pessoas foram atingidas com o sumiço de Juliano, entre alunos, pais e professores.

Todas as famílias haviam fechado pacote com a Diver Tour e ficaram sem as viagens. Algumas, com receio de arrumarem as malas e sofrerem uma desilusão, preferiram se prevenir cancelando a excursão. Companheira de Juliano e sócia na agência, Jéssica Souza, 26 anos, tentou manter alguns contratos depois do sumiço do marido. Porém, a confiança já havia sido abalada. 

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Na Cândido de Barros, a viagem custou R$ 540 por pessoa, totalizando R$ 24.300. Para alunos da escola Monteiro Lobato, o prejuízo foi ainda maior, de R$ 79 mil. A viagem seria de quatro dias na praia de Canasvieiras, em Santa Catarina, mas nem ônibus nem hotel foram reservados — detalhe descoberto somente no dia em que Juliano desapareceu.

— A gente ficou muito triste. As pessoas choravam. Meus colegas, o pessoal do 9° ano. Essa viagem seria a viagem do ano. Era para comemorar todo esse tempo na escola e poder fechar com chave de ouro — lamenta Éricles Duminelli, 18 anos, aluno da Cândido de Barros.

Envolvimento com a política

Com cesárea  marcada para o dia em que Juliano desapareceu, Jéssica Souza precisou remarcar o parto. O segundo filho do casal nasceu dias depois. Apesar de trabalhar na empresa do marido, Jéssica afirma que a gravidez a manteve distante dos negócios. Diz ter ficado surpresa quando as famílias começaram a ameaçar a agência na Justiça. 

Candidato a vereador de Taquara pelo PSDB com o apelido de "Juliano do Beto Carrero", o dono da agência teria ficado frustrado com a tentativa de conseguir uma vaga na Câmara. Levou apenas 273 votos — 268 a menos que o último eleito.

— Estavam dando como certo que ele iria ganhar. Não foi o que aconteceu — diz Jéssica.

Ao Diário Gaúcho, ela afirmou possuir cheques de alguns alunos, que não serão descontados. Espera que o companheiro retorne a Taquara e assuma as consequências.

Indenização

Pais e professores das cinco escolas registraram ocorrência contra a Diver Tour. Segundo o delegado de Taquara, Luiz Carlos de Abreu, Juliano é investigado pela suposta prática de estelionato.

— Vamos ouvir as pessoas que organizaram a excursão, as diretoras, os alunos. Vamos tentar localizar o rapaz.

Contratada pelas famílias dos alunos da Cândido de Barros e da Miguelinho Freire, a advogada Graça Castilhos moveu uma ação contra a agência por danos morais e materiais. A ideia é reaver o valor investido pelos alunos, mas também indenizá-los pela promessa não cumprida.

— As duas escolas são estaduais. São pessoas que gastaram para comprar um chinelo e fizeram festa por isso. Foi traumatizante, em uma fase de conclusão de curso — afirma Graça.

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