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Literatura pelo caminho25/03/2017 | 07h00Atualizada em 25/03/2017 | 07h00

Carioca percorrerá a América do Sul com biblioteca ambulante

Quincas Avelino criou o projeto Cicloteca e está percorrendo de bicicleta o Brasil, distribuindo livros por onde passa. A meta é percorrer a América do Sul 

Carioca percorrerá a América do Sul com biblioteca ambulante Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

'Sinto uma dor infinita/ Das ruas de Porto Alegre / Onde jamais passarei...'

No lugar do trivial 'olá, muito prazer', o produtor cultural Quincas Avelino, 28 anos, do Rio de Janeiro, recebeu a equipe de reportagem lendo um trecho do poema acima: Mapa, de Mario Quintana. De passagem pela Capital, Quincas está percorrendo o Brasil e pretende cruzar a América Latina numa bicicleta cujo assento do carona está repleto de livros.

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A viagem se iniciou em setembro do ano passado, quando o produtor cultural deixou Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em direção ao Sul para divulgar o projeto Cicloteca, uma espécie de biblioteca ambulante.

Por onde passa, Quincas recebe e distribui obras — poemas são os favoritos dele — dos mais diversos autores e ainda encontra tempo para oficinas em escolas ensinando a fazer bolhas gigantes de sabão e falando sobre as andanças.

— Quero colecionar cartões postais, escrever contos e conhecer o mundo. Juntei a bicicleta e os livros porque eles me proporcionam o deslocamento, me fazem pensar a empatia, a poesia e as relações pessoais — justifica. 

Quincas confessa que desde a adolescência em Atibaia, no interior de São Paulo, desejava ganhar asas e sair pelo mundo. Quando voltou ao Rio, acabou cursando a faculdade de Produção Cultural e o mestrado em Cultura e Territorialidades na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Neste período, criou a Cicloteca e estacionava a bicicleta na Praça XV, no Centro do Rio. A rotina terminou cinco dias depois de entregar o trabalho final da pós-graduação, quando Quincas separou uma barraca, um saco de dormir, algumas roupas e livros e os colocou dentro de um caixa de alumínio acoplada ao carona da magrela. Era hora de partir.

— Já passei por cidades do Paraná, de Santa Catarina e agora estou no Sul. Só tive problemas em Araranguá, quando policiais militares desconfiaram da minha presença na cidade e até me deram uns tapas. Depois, ficou tudo bem. Só tenho conhecido pessoas e histórias incríveis — afirma, entusiasmado. 

Reportagem foi recebida com a leitura do poema Mapa Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Em Porto Alegre, Quincas está hospedado na casa de conhecidos e deixa a bicicleta estacionada no pátio de um hostel, que liberou o espaço gratuitamente. Numa ação rápida no brique da Redenção, no final de semana passado, distribuiu cinco livros. A meta dele não é a quantidade distribuída, mas a qualidade na distribuição. Quincas quer conversar com as pessoas e conhecê-las. Os livros são uma ponte para esta aproximação.

— Se eu chegar de mãos vazias pedindo um prato de comida, dificilmente me darão. Mas quando chego com os livros, as pessoas entendem a proposta e me acolhem — conta. 

Quincas quer distribuir livros pelas cidades por onde passar Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Despedida

Na página do Facebook Ciclista Aprendiz, criada para divulgar a viagem, Quincas destaca que o projeto é inspirado na obra de Mário de Andrade "O Turista Aprendiz" e com a bicicleta pretende propor diferentes atividades. A próxima delas ocorrerá durante a programação da segunda edição da Virada Sustentável de Porto Alegre, entre 30 de março e 2 de abril. O ex-triatleta teve aprovada uma oficina de bolha gigante de sabão, que será oferecida no parque da Redenção.

Sem data para seguir a viagem e sem data voltar à terra natal, Quincas vive um dia de cada vez. Não faz planos mirabolantes. Quer desbravar o desconhecido. Ele acredita na troca, seja de livros ou de conhecimentos. Ao se despedir da reportagem, mais uma vez, dispensou o 'até logo'. Preferiu declamar Meu Destino, de Cora Coralina:

'Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...'

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