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Sacrifícios do amor31/03/2017 | 15h50Atualizada em 31/03/2017 | 22h00

Casal vende trufas em sinaleira de Gravataí para pagar festa de casamento

Com o dinheiro dos doces, cerimônia que só parecia possível em 2018 foi adiantada para setembro

Casal vende trufas em sinaleira de Gravataí para pagar festa de casamento Milena Tietbohl / Moça de Concreto/Moça de Concreto
O casal é visto diariamente em uma avenida movimentada de Gravataí, na Região Metropolitana Foto: Milena Tietbohl / Moça de Concreto / Moça de Concreto

Juntos há 11 meses, os jovens Cristian Queiroz, de 20 anos, e Leticia Siqueira, de 17, estão fazendo o possível para que o amor entre eles avance para algo mais sério. Há duas semanas, o casal vende trufas em uma sinaleira da Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, uma das mais movimentadas de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para conseguir pagar a festa de casamento.

Com plaquinhas penduradas no pescoço alertando pedestres e motoristas para a finalidade daquele comércio — "Nos ajude a casar", dizem as placas, acompanhadas do desenho de uma trufa —, eles saem do trabalho e vão direto à parada 79 da avenida. Quando o sinal fecha e os motoristas estão menos atentos ao tráfego, Cristian perambula entre os carros oferecendo os doces enquanto Leticia aguarda na calçada.

— Não é barbada, mas é legal. A gente está se empenhando. Tem que ter sacrifício — diz Leticia.

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A função se repete todos os dias, mesmo quando há aula na universidade na parte da noite, obrigação que os faz abandonar a sinaleira um pouco mais cedo. Depois de se conhecerem em uma igreja evangélica, optaram pelo mesmo curso, Educação Física. Embora empregados — ela é estagiária em uma farmácia, ele é auxiliar de manutenção em uma empresa de transporte —, os salários não dão conta de arcar com todas as despesas da cerimônia, prevista para setembro.

Foto: Arquivo pessoal

O esforço dos dois para trocar alianças e promessas de amor eterno causa surpresa. Uma foto do casal "vestindo" as plaquinhas enquanto vendia as trufas na sinaleira começou a circular nas redes sociais, e entre comentários de apoio houve quem criticasse — comportamento que os namorados também precisam encarar quando estão na rua.

— Tem gente que faz cara feia, nem olha. Tem gente que fala: "se não tem dinheiro para casar, vão viver de amor?". Eu respondo: "a gente se esforça, a gente trabalha" — tranquiliza Cristian.

O comércio das trufas tornou possível que a festa, que só parecia viável em 2018, fosse adiantada para este ano, embora ainda não tenha data marcada. O dinheiro pagará os comes e bebes, a decoração e até alguns utensílios para a casa. Fecharam com o dono de um sítio para que a cerimônia seja realizada na natureza, debaixo de uma figueira, o que vai custar mais barato do que um salão. 

De doadores que ficaram tocados com a força de vontade dos dois, vão ganhar iluminação e sonorização, além de um dia de noiva para Leticia e de noivo para Cristian, coisa com a qual o rapaz jamais havia sonhado.

— Geralmente é a noiva que tem esse dia. Mas tudo o que a gente ganhar, vai aproveitar — comemora ele.

A ideia é que a venda das trufas continue até a data do casamento, mesmo que o dinheiro necessário para a comemoração já tenha sido alcançado. Uma página no Facebook foi criada para quem deseja fazer encomendas ou auxiliá-los com alguma doação.

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