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Seu Problema é Nosso27/04/2017 | 15h32Atualizada em 27/04/2017 | 15h32

Falta de ônibus acessível deixa cadeirante desempregada em Novo Hamburgo

Marli Teresinha perdeu o emprego em um ateliê de calçados devido a falta de ônibus com acessibilidade que pudessem levá-la ao trabalho

Falta de ônibus acessível deixa cadeirante desempregada em Novo Hamburgo Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Marli já ficou esperando por mais de três por um ônibus com elevador para cadeirantes Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Cerca de quatro anos atrás, Marli Terezinha Nunes Monteiro, 55 anos, se mudou para um apartamento obtido por meio de um programa social. A expectativa da cadeirante era de que a nova morada, no Bairro Jardim Rondônia, em Novo Hamburgo, melhorasse sua qualidade de vida. Mas um problema passou a tornar mais difíceis os dias de Marli. 

Até então funcionária de um ateliê de calçados, onde trabalhava como preparadora, ela teve de sair do emprego em 2014 por chegar sempre atrasada ou nem conseguir chegar. E o motivo é a falta de ônibus com acessibilidade no bairro onde ela mora. 

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Desde que se mudou para o Jardim Rondônia, cada vez que precisa sair de casa, Marli passa por uma peregrinação. O caminho íngreme até a parada já dificulta o trajeto, que ela demora cerca de 20 minutos para fazer quando está sozinha. Mas a demora mesmo é na hora de tentar subir em algum ônibus da linha Kroeff/Esmeralda, da empresa Viação Futura. 

Sem conseguir emprego, Marli virou vendedora ambulante 

Não foram poucas as vezes em que ela passou mais de três horas esperando a boa vontade de um motorista ou cobrador em ligar para a garagem da empresa e pedir um ônibus com elevador para cadeirantes. 

— Esses dias, precisei ir de uma parada onde nenhum ônibus acessível passava até o terminal no Centro de Novo Hamburgo. Demorei quase meia hora para chegar lá. Aí consegui achar um fiscal que ligasse para a garagem e pedisse um carro com elevador funcionando — desabafa Marli. 

Com a perda do emprego, agora ela se vira como vendedora ambulante em pontos da cidade, comercializando trufas e panos de prato, já que não consegue uma garantia de horário para chegar em um possível emprego. Entretanto, a sua maior indignação é saber que existem ônibus com elevadores funcionando, mas eles não saem da garagem. Ela já reclamou com a empresa e com a prefeitura, mas nenhuma das demandas foi resolvida. 

— Se a situação continuar assim, vou ter que achar outro lugar para morar. Não posso ficar dependendo de ônibus que não vem, preciso de um emprego, preciso me sustentar — explica a vendedora ambulante. 

Prefeitura garante que veículos adaptados vão atender o bairro

Procurada pela reportagem, a Viação Futura explicou que foi notificada pela prefeitura e que não iria responder ao jornal sobre o caso. 

A prefeitura de Novo Hamburgo confirmou que notificou a empresa e entrou em contato com Marli para entender a necessidade da leitora. Ela foi informada de que ônibus acessíveis irão circular entre as 7h e as 10h, horário em que ela precisa. Em outros horários, conforme necessidade, os ônibus também circularão com acessibilidade. A vendedora foi informada, ainda, de que os coletivos que apresentavam problemas foram encaminhados para conserto. 

O governo municipal informou estar ciente da necessidade de ter um sistema 100% acessível. Entretanto, em função de um decreto federal de 2004 – que determina a substituição da frota por veículos acessíveis de forma gradativa, por meio de concessões e licitações –, isso só ocorrerá quando for renovado o contrato. Ou quando for lançado novo processo de licitação das linhas de ônibus da cidade. 

Segundo a administração, essa licitação está prevista para ocorrer ao longo deste ano, e será solicitado que todos os veículos sejam acessíveis. Questionada sobre a fiscalização do transporte público, a prefeitura disse fazer o possível para atender as reclamações feitas por usuários dos coletivos. 

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