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Seu problema é nosso02/06/2017 | 09h29Atualizada em 02/06/2017 | 09h29

Com alergia a vários alimentos, bebê de Canoas sofre com a falta de leite especial

Secretaria Estadual da Saúde informou que o município deve retirar um novo lote nos próximos dias

Com alergia a vários alimentos, bebê de Canoas sofre com a falta de leite especial Arquivo pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Foto: Arquivo pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

No início de maio, a dona de casa Daniela de Fátima Menezes Cezar, 24 anos, de Canoas, recebeu uma notícia esperada havia quase três meses: o pedido de leite especial para a filha mais nova, Maria Valentina Menezes Cezar da Silva, nove meses, estava autorizado. Porém, mesmo com a solicitação deferida, o alimento Neocate LCP estava em falta e sem previsão de reposição.

Como se não bastasse, no laudo médico, consta o pedido de 16 latas de 400g mensais, mas a autorização de retirada é de apenas dez latas.

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Ela conta, ainda, que foi à Farmácia Municipal e presenciou outras mães pegando o mesmo leite. Para ela, foi informado de que não há estoque. Com mais uma filha de cinco anos e sem poder trabalhar para cuidar das meninas, Daniela diz que é só o salário do marido que sustenta a família.

— Ele ganha menos de dois salários mínimos, e somos quatro pessoas. Sem contar que o leite especial é muito caro, estamos fazendo de tudo para comprar, às vezes ganhamos doações, mas não dá conta. E a Maria Valentina precisa desse alimento — desabafa Daniela.

Cada lata do Neocate LCP 400g custa entre R$ 150 e R$ 200. Se fosse comprar as 16 latas, mesmo pelo valor mais baixo, sairia R$ 2,4 mil por mês, valor do qual a família não dispõe.

Outros alimentos

Até um mês e meio de vida, Maria Valentina mamava no peito. Foi aí que Daniela começou a notar reações alérgicas na menina. Após vários exames, foi comprovado a síndrome de má absorção. A bebê tem alergia à proteína do leite de vaca, ovo, soja, banana, mamão, manga, cebola e batata-doce, além de algumas medicações.

O Neocate LCP é o único alimento, até o momento, que se mostrou eficaz para suprir as necessidades de Maria Valentina, já que é 100% livre de aminoácidos.

— Eu fiz uma dieta exclusiva para tentar amamentá-la no peito por mais tempo. Mesmo assim, ela apresentou alergias, e é por isso que ela não pode ficar sem o leite especial — conta Daniela.

Participando de grupos de WhatsApp e Facebook com outras mães na mesma situação, Daniela diz que o problema atinge várias famílias e que o Estado precisa ser mais cuidadoso com a falta deste tipo de alimento.

— Sou grata porque, sempre que possível, recebo doações por meio dos grupos, mas a Maria Valentina, assim como outras crianças, tem direito ao leite gratuitamente pelo governo. Estamos falando de bebês, a Secretaria da Saúde precisa resolver logo esse problema.

Serão dadas três latas emergenciais

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o alimento Neocate LCP não está em falta no Estado.

Até a manhã desta quinta-feira, o estoque de Canoas ainda era de cinco latas. Segundo a SES, está prevista a retirada de um novo lote por parte do município nos próximos dias. Referente à quantidade deferida no pedido, a secretaria esclareceu o ajuste para dez latas se deve a uma avaliação da Coordenação de Assistência Farmacêutica, em função de que a criança, a partir dos seis meses, já pode comer outros alimentos, como frutas e papinhas.

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Diferentemente do informado pela SES, a Secretaria Municipal da Saúde de Canoas disse que o produto está em falta e sem previsão de reposição. Sobre o lote que está por vir, a secretaria não soube informar se será liberado para todos ou apenas para os que tem processo judicial ou administrativo.

Sobre Daniela ter visto outras mães pegando o alimento na Farmácia Municipal, a secretaria informou que eram para pessoas com processos administrativos ou ordem judicial. Como medida emergencial, o município tem três latas à disposição de Daniela. Ela pode retirá-las, apresentando documento de identidade.


 

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