Enchentes do Arroio Feijó são retrato do descaso do poder público com a população da Região Metropolitana - Notícias

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Seu problema é nosso04/01/2018 | 09h53Atualizada em 04/01/2018 | 09h53

Enchentes do Arroio Feijó são retrato do descaso do poder público com a população da Região Metropolitana

Antônio Gonçalves, morador do bairro Rubem Berta, zona norte de Porto Alegre, teve a casa invadida pela água do Feijó e contraiu leptospirose 

Enchentes do Arroio Feijó são retrato do descaso do poder público com a população da Região Metropolitana Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Com 15km de extensão, o Arroio Feijó, que fica no limite entre Alvorada, Porto Alegre e Viamão, representa uma ameaça aos moradores da região, que convivem com constantes alagamentos. 

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Além da água, lixo e dejetos invadem ruas e casas, afetando milhares de cidadãos que vivem nas margens do arroio que permeia as três cidades e provocando, inclusive, doenças. 

O caso do vigilante Antônio Carlos Neves Gonçalves, 51 anos, morador da Rua Jacy Kroeff Milanez, no bairro Rubem Berta, zona norte de Porto Alegre, é um exemplo do perigo silencioso encoberto pelo Feijó. 

No temporal do dia 7 de dezembro de 2017, a casa dele foi invadida pela água, que chegou até a cintura de Antônio. 

Foram dez horas de contato direto com lodo, o que levou o vigilante a contrair leptospirose (doença bacteriana transmitida por água ou alimentos infectados pela urina de animais, especialmente, de ratazanas). 

— Foi desesperador ver que a água não baixava, que não tinha como fugir. Dias depois, descobri que eu estava com leptospirose. Foi difícil, fiquei bem mal — desabafa Antônio. 

Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

Mulher de Antônio e moradora da região há 50 anos, a cabeleireira Dora Santana, 68, lembra os momentos de desespero que o casal enfrentou: 

— Eu estava dentro de casa e o Antônio fora. Eu não conseguia sair e ele não conseguia entrar. Depois de algum tempo, os bombeiros foram chamados e ajudaram idosos e crianças da rua. Foi um dia horrível. 

Sem uma nascente determinada, o arroio é formado por pelo menos 11 cursos d’água existentes em Viamão e uma sub-bacia de 57 quilômetros quadrados. Segundo Antônio, o desamparo é evidente. Cada vez que chove, o arroio transborda e o drama dos moradores recomeça. 

Cobrança antiga 

Apesar de serem feitas reclamações há anos, somente medidas paliativas foram tomadas até agora. 

— Depois de muitas queixas dos moradores exigindo providências, dragagens eram feitas regularmente até dois anos atrás, quando pararam de repente. Tenho protocolos desde 2013, mas as reclamações, sem dúvida, são anteriores a esse período — garante Antônio. 

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Para piorar a situação, a Rua Jacy Kroeff Milanez é sem saída e termina no muro de uma fábrica, que bloqueia o escoamento da chuva e do arroio e vira um lixão quando a água recua. 

Solução parou no plano das ideias

A responsabilidade do Arroio Feijó é da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional ( Metroplan), que informou, por meio da Secretaria Estadual de Obras, Saneamento e Habitação, que os alagamentos resultam da ocupação desordenada e inadequada das margens do arroio e das áreas de preservação permanente. 

Segundo a Fundação, o governo do Estado elaborou um estudo para a implantação do sistema de proteção contra cheias, a ser desenvolvido pelos governos federal, estadual e municipal. 

A Secretaria Estadual de Obras afirmou que está aberta a receber solicitação do município e dar início à melhora do trecho do Arroio Feijó no Rubem Berta. Mas não há previsão para o início de obras. 

O órgão disse ainda que são necessárias alterações dos planos diretores de Desenvolvimento Urbano e Ambiental dos três municípios, assim como a remoção das famílias que residem em áreas de risco e de preservação. 

*Produção: Leticia Gomes

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