Com menos clínicas atendendo via Sus, demora para sessões de fisioterapia preocupa pacientes em Gravataí - Notícias

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Seu problema é nosso06/02/2018 | 11h06Atualizada em 07/02/2018 | 09h16

Com menos clínicas atendendo via Sus, demora para sessões de fisioterapia preocupa pacientes em Gravataí

Segundo a Secretaria da Saúde de Gravataí, cerca 7 mil sessões mensais eram feitas nas duas clínicas que deixaram de prestar serviços para a prefeitura

Com menos clínicas atendendo via Sus, demora para sessões de fisioterapia preocupa pacientes em Gravataí Roni Rigon / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Roni Rigon / Agência RBS / Agência RBS

A promessa de repor o atendimento de fisioterapia via SUS em Gravataí não foi cumprida. Em dezembro — quando o contrato entre a prefeitura e duas das três clínicas prestadoras do serviço terminou —, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) se comprometeu em tentar evitar a sobrecarga no único local que seguiu atendendo. 

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O secretário municipal da saúde, Jean Tormann, explicou que seriam lançadas em janeiro duas licitações — uma emergencial, válida por 180 dias, e outra definitiva, para contratar novas clínicas por mais cinco anos. 

Porém, isso não ocorreu, e a alta quantidade de sessões para apenas uma clínica já tem mostrado seus efeitos na cidade. Segundo a SMS, até o vencimento do contrato, eram feitos 15 mil atendimentos por mês — deste total, 46,6% aconteciam nas duas clínicas que deixaram de atender, o que representa 7 mil sessões mensais. 

Lotação 

Durante as últimas semanas, pacientes que frequentavam os locais mas perderam o benefício devido ao fim do contrato entraram em contato com o DG. Muitos não obtiveram encaminhamento para a clínica. Outros, que conseguiram marcar alguma sessão, também enfrentam dificuldades. 

— Não fui mais. O local fica lotado, um calor insuportável. A prefeitura jogou todos os atendimentos nas costas desse estabelecimento — relata um paciente de 38 anos que prefere não ser identificado. 

Secretário em um escritório de advocacia, Luis Massaro Rodrigues, 23 anos, conta que a mãe, a também secretária Luisa Rodrigues, 48 anos, teve de esperar cerca de seis horas por uma sessão devido à superlotação. 

— Eu, meu pai e minha mãe fazíamos tratamento, mas, com essa demora, só a mãe continua, pois ela precisa muito em função de uma torsão na coluna. Só que a espera tem sido tão grande que ela está prestes a desistir — conta Luis. 

Espera 

A cuidadora desempregada Lucir Ramos, 55 anos, fez sua última sessão de fisioterapia em 28 de dezembro. Ontem, ao sair do posto de saúde, a moradora da Vila Branca contou à reportagem que não há previsão de quando será chamada de novo. 

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— Tomo remédios para suportar a dor que tenho quando fico sem ir às sessões – relata a cuidadora. 

Lucir trata rompimento de tendão no ombro esquerdo, síndrome do túnel de carpo na mão direita e fortes dores na lombar. Sem fisioterapia, precisa de injeções de corticoides a cada 20 dias. 

Sem previsão de ampliação no atendimento

Em nota, o secretário Jean Tormann explicou porque não foi feito o contrato emergencial de clínicas em janeiro. Segundo Jean, a única empresa apta a atender não manifestou interesse na licitação. O secretario garante que a administração está tentando uma nova licitação de emergência – válida por 180 dias. 

Quanto à licitação efetiva, com validade de cinco anos — também prometida em dezembro —, o responsável informa que estão sendo realizados "atos preparatórios para lançamento do edital". Conforme o secretário, "existem pressupostos legais": 

— É necessário garantia de condições técnicas para prestar este serviço. Estamos atuando para fazer o mais breve possível. 

Entretanto, não foi especificada uma data de lançamento tanto do edital emergencial quanto da licitação definitiva. 

Fiscalização 

Quanto às reclamações de superlotação e falta de climatização no único local que ainda está atendendo, a prefeitura informou que “ a equipe de auditoria da SMS verifica constantemente as condições do ambiente e de atendimento”. 

E explicou ainda que a "exigência é que os prestadores cumpram o que está na lei", sem especificar se a climatização é uma norma que deveria ser seguida. 

Sobre a demora relatada por pacientes para serem encaminhados às sessões, o secretário de Saúde disse que as unidades de saúde são responsáveis por fazer os encaminhamentos. 

— Problemas de atendimento devem ser comunicados nos canais de ouvidoria – informa Jean. 

Como falar com a Ouvidoria

 — Reclamações podem ser encaminhadas à prefeitura de Gravataí pelos telefones 0800-510-9956 ou 3600-7028.

— Também é possível enviar e-mail para ouvidoria@gravatai.rs.gov.br. 

— A Ouvidoria também tem atendimento presencial na Avenida José Loureiro da Silva, 1.350, no Centro, das 9h às 18h.

Entenda o caso

No fim de dezembro, o contrato de licitação entre a prefeitura e as três clínicas que atendiam via Sus na cidade se encerrou. O serviço era renovado a cada cinco anos, porém, desta vez, duas das três clínicas não apresentaram os alvarás necessários para continuar prestando os serviços. Assim, apenas uma clínica conseguiu permanecer na licitação. 

Os proprietários das clínicas descadastradas jogaram para a prefeitura a responsabilidade pela demora na liberação dos alvarás. A prefeitura, por sua vez, garantiu que os documentos não foram apresentados em tempo hábil para liberação. 

Em dezembro, a prefeitura prometeu reverter a situação até o fim de janeiro, mas isso não aconteceu. 

*Produção: Alberi Neto

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