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Seu problema é nosso22/03/2018 | 09h35Atualizada em 22/03/2018 | 09h38

Bebê espera por cirurgia no crânio que já foi adiada três vezes, em Porto Alegre

O hospital diz que o procedimento foi agendado pela primeira vez para dezembro e postergado para fevereiro e junho

Bebê espera por cirurgia no crânio que já foi adiada três vezes, em Porto Alegre Anselmo Cunha / Agência RBS/Agência RBS
Karla preocupa-se com saúde da filha Foto: Anselmo Cunha / Agência RBS / Agência RBS

A nove dias do aniversário de um ano da filha Camila, Karla Viviane Tagliani de Oliveira, moradora do bairro Hípica, em Porto Alegre, vive momentos de incerteza. 

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E isso não tem relação com a celebração do próximo dia 31, mas sim com os adiamentos de uma cirurgia pela qual a menina precisa passar — inicialmente, o procedimento foi marcado para o final do ano passado, mas não deve ocorrer antes de junho deste ano. 

Camila nasceu com craniossinostose, doença que provoca o fechamento precoce de uma das suturas (as linhas de junção entre os ossos) do crânio. A fusão prematura das placas ósseas dificulta o crescimento do crânio, guiado pelo desenvolvimento do cérebro. Como envolve apenas uma região, surgem deformidades no formato da cabeça. 

— A cabecinha dela tem um formato bem diferente, como um capacete de bicicleta. Já nasceu assim, mas vem se acentuando — conta Karla, que segue: 

— Quando ela nasceu, me disseram que deveria fazer a cirurgia até os nove meses. Mas até agora não aconteceu, porque ficam remarcando. Não quero que ela tenha um problema maior para depois operar. 

Procedimento já foi adiado três vezes pelo HCPAFoto: Anselmo Cunha / Agência RBS

Emergências 

A cirurgia para corrigir o problema, conforme Karla, havia sido marcada para novembro e foi adiada mais três vezes pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA): em dezembro, fevereiro e março. 

Agora, deve ocorrer em junho. A instituição diz que o procedimento foi agendado pela primeira vez para dezembro e postergado para fevereiro e junho. De acordo com o HCPA, os reagendamentos ocorreram para que outras crianças, "que necessitam de intervenção em caráter emergencial", fossem atendidas. 

Segundo o hospital, o grupo que acompanha Camila atua há 25 anos no tratamento de casos da doença e é o de maior experiência no ramo no Estado.

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"Segundo a literatura médica recente, recomenda-se a não realização do procedimento antes dos seis meses de vida pelo elevado risco de complicações; após os seis meses, a recomendação é tratar os casos mais graves (grandes deformidades com repercussão clínica severa) e, em torno de um ano de vida, os demais casos. Portanto, a programação prevista garante o tratamento dentro do período adequado e seguro", afirma o HCPA em nota. 

Impacto pode se dar no emocional 

O presidente do Departamento Científico de Neurologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marcio Moacyr Vasconcelos, explica que a manifestação mais comum da doença é estética: na maioria das vezes, a cabeça fica mais estreita e longa. 

— É uma questão de aparência, mas isso é algo muito importante na vida da pessoa. Se não realizar a cirurgia, a criança pode ter aspectos emocionais e físicos prejudicados no futuro — ressalta, acrescentando que, em casos graves, outras complicações podem surgir, como hipertensão intracraniana, hidrocefalia, deformidade nos olhos e leve atraso mental. 

Demora no procedimento pode afetar esteticamente CamilaFoto: Anselmo Cunha / Agência RBS

Marcio, que também é professor de pediatria e neuropediatria da Universidade Federal Fluminense (UFF), diz compreender a justificativa da instituição:

— A preocupação da mãe é apropriada. Ela sabe que existe um prazo para fazer essa cirurgia. Existe um tempo ideal e existe um tempo possível para o procedimento. A marcação para junho não me parece um absurdo. Não acho que o hospital esteja errando, já que afirma ter casos mais urgentes. 

O médico salienta que desconhece detalhes deste caso, mas que, em geral, a janela de oportunidade para a realização da cirurgia se encerra aos dois anos, idade em que os ossos do crânio "fecham": 

— A cirurgia é menos difícil antes disso, e tenho certeza que o hospital sabe disso.

*Produção: Bruna Viesseri

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