Erro de preenchimento no sistema adia cirurgia bariátrica de rodoviário na Capital - Notícias

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Seu problema é nosso02/04/2018 | 08h53Atualizada em 03/04/2018 | 11h37

Erro de preenchimento no sistema adia cirurgia bariátrica de rodoviário na Capital

Durante uma atualização de sistema, o responsável do posto onde o paciente era atendido marcou, de forma incorreta, a especialidade na qual Gelson precisava ser atendido

Erro de preenchimento no sistema adia cirurgia bariátrica de rodoviário na Capital Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Gelson tenta conseguir a cirurgia há cerca de 20 anos Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Afastado do serviço há quase três anos por problemas de saúde, o rodoviário Gelson Ribas Pinto, 47 anos, foi vítima de um erro de sistema — literalmente. O morador do bairro Restinga, na Capital, sofre com problemas causados pela obesidade, como o diabetes, há mais de 20 anos. Por boa parte desse período, ele tem tentado a realização de uma cirurgia bariátrica por meio do SUS. 

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Em 4 de outubro de 2016, o cobrador de ônibus achou que a espera tinha chegado ao fim. Gelson foi encaminhado ao Hospital Vila Nova, na Capital. Lá, após passar por todo o processo de triagem e pré-operatório, ele foi chamado pelo médico e informado de que havia sido enviado ao local errado. No Vila Nova, não são feitas cirurgias bariátricas. Então, a longa caminhada do homem voltou ao ponto de partida. 

— Foi um desespero. Como me encaminharam para um lugar onde nem se faz a cirurgia de que eu preciso? — questiona o rodoviário. 

Atualização 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 9 de setembro de 2016, menos de um mês antes da cirurgia de Gelson, houve uma troca no sistema de marcações e agendamentos no Estado. 

O antigo programa deu lugar ao atual, chamado de Gercon. Neste processo, os profissionais das unidades de saúde precisaram remarcar procedimentos que estavam na plataforma antiga e inseri-los no Gercon. O erro relacionado ao procedimento pelo qual Gelson deveria passar teria acontecido nessa etapa. 

De acordo com a SMS, o responsável pela atualização no posto onde o paciente era atendido marcou, de forma incorreta, que o cobrador precisava ser atendido na especialidade cirurgia-geral, causando todo o transtorno. 

— No mesmo dia que me negaram a cirurgia no Vila Nova, voltei ao Centro de Saúde do IAPI, onde era atendido. Lá, o funcionário disse que eu precisaria retornar ao posto do meu bairro, na Restinga. Eu teria de começar todo o atendimento de novo, desde a primeira consulta – recorda Gelson. 

Sem respostas 

Mesmo indignado, o morador da Zona Sul seguiu as orientações e buscou auxílio na unidade de saúde do seu bairro. Porém, até hoje, não recebeu nenhuma resposta sobre o caso. 

— Na semana retrasada, estive no posto mais uma vez, e disseram que a responsabilidade estava novamente com a unidade do IAPI. Fui até lá, mas não encontraram nada no sistema. Meus papéis estavam desde 2016 numa pasta, esquecidos. Nada foi feito para me ajudar — reclama o rodoviário. 

Paciente precisará recomeçar atendimento 

A nota enviada pela Secretaria de Saúde diz que, após o procedimento erroneamente marcado, não houve nenhum contato do paciente reclamando sobre o ocorrido. Então, o erro constou para o sistema como atendimento regular. 

A SMS explica que é necessário "reavaliar o paciente, diante do quadro clínico que ele apresenta atualmente". Ou seja, Gelson precisará retornar ao posto de saúde e marcar uma nova consulta com um clínico- geral para ser reavaliado. Terá de refazer um processo pelo qual já passou. 

Prioridade 

O órgão garante que, "se o caso for de maior urgência, será priorizado na fila de atendimentos". 

Isso ocorre porque, no Gercon, a prioridade do atendimento é dada pelo estado de saúde apresentado pelo paciente — diferentemente do antigo sistema, que organizava os pacientes por ordem de chegada.

Como reclamar 

— Em caso de erro em agendamentos, marcações ou quaisquer outros problemas relacionados ao setor da saúde municipal, a SMS ressalta a necessidade dos pacientes registrarem o ocorrido. 

— Isso pode ser feito por meio da ouvidoria do órgão, pelo telefone 156 ou pela internet

— Também é possível reclamar na própria unidade de saúde de referência do paciente.

*Produção: Alberi Neto

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