Paciente aguarda há três anos por cirurgia bariátrica, em Canoas - Notícias

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Seu problema é nosso08/05/2018 | 09h22Atualizada em 08/05/2018 | 09h22

Paciente aguarda há três anos por cirurgia bariátrica, em Canoas

O Diário acompanha os passos de Rafael desde agosto de 2016. Na época, ele aguardava há nove meses por uma consulta, que foi agendada após a publicação da reportagem

Paciente aguarda há três anos por cirurgia bariátrica, em Canoas Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Rafael é atendido no Hospital Universitário da Ulbra, em Canoas Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Quando conseguiu juntar forças para reeducar sua alimentação e procurar ajuda médica, o porteiro Rafael de Mattos Paranhos, 35 anos, não sabia que uma caminhada tão longa o esperava. Morador do bairro Niterói, em Canoas, e pesando 167,4 quilos, ele está desde 2016 na fila de espera por uma cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia de redução do estômago. 

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Consultas 

Nestes três anos, entre altos e baixos, Rafael passou por diversas consultas com especialistas, como cardiologista, nutricionista, psicólogo e psiquiatra. Porém, a cirurgia não tem previsão de ser realizada. 

— No começo, fui informado pelo hospital que, em até dois anos, eu seria operado. Neste mês, estou completando o terceiro ano de espera. E sigo sem previsão alguma — desabafa. 

Um sonho 

As forças para seguir no tratamento vêm de um sonho: voltar ao emprego antigo, de vigilante. O morador da Região Metropolitana possui curso de escolta armada e vigilância. Entretanto, não pode mais trabalhar na área em razão do excesso de peso, isso porque não há colete à prova de balas para seu tamanho. 

Com a saída do ramo e a ida para a portaria, ele passou a ganhar 50% menos do que no emprego anterior. 

— Sofri um acidente em 2009 e corri risco de ter a perna amputada. Fiquei dois anos acamado, isso me levou à depressão. De 100 quilos, que era meu peso, fui para 205 quilos. Quando retornei ao mercado de trabalho, não podia mais ser vigilante — recorda ele. 

Dos mais de 200 quilos, Rafael conseguiu eliminar quase 40 por conta própria, pagando nutricionistas e psiquiatras de forma particular. Hoje, mesmo pesando 167,4 quilos, admite: 

— Chega uma hora em que é difícil perder peso, mesmo com todo o esforço. Só queria saber se um dia vou ser chamado para a cirurgia. 

Saga 

O Diário Gaúcho acompanha os passos de Rafael desde o início das suas tentativas. A primeira reportagem sobre o caso foi feita em 3 de agosto de 2016. Na época, ele aguardava havia nove meses por uma consulta com cirurgião. Depois da publicação no jornal, o porteiro foi chamado para o atendimento. 

Entretanto, desde a visita ao Hospital Universitário da Ulbra (HU), em Canoas, no final de 2016, até hoje, pouca coisa mudou. 

— Das consultas, já recebi laudos de liberação para cirurgia do cardiologista e da psiquiatra. O que ainda me falta são os laudo de nutricionista e psicólogo. Porém, nunca me chamam para a consulta com a nutricionista — relata Rafael.

Gamp não dá previsão sobre cirurgia 

A assessoria de imprensa do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), gestora do HU, informou que Rafael está em acompanhamento nutricional e psicológico. Sua cirurgia só será agendada depois da liberação destes profissionais. 

Ainda segundo a assessoria do Gamp, não há um tempo de espera máximo. Cada caso depende das condições do paciente. 

Multidisciplinar 

Conforme o Gamp, para a realização de uma cirurgia bariátrica, o paciente precisa passar por atendimento com uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião, psicólogo, nutricionista, endocrinologista, cardiologista, gastroenterologista, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. 

As consultas servem para construir uma avaliação completa do quadro clínico e, só depois da liberação por todos estes profissionais, o paciente estará apto a passar pela cirurgia. O HU ainda garantiu que realiza em torno de dez procedimentos por mês e que não há falta de materiais para a realização das cirurgias. 

*Produção: Alberi Neto 

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